Tudo sobre Baku, a capital do Azerbaijão

Por: Flávia Pires 16 outubro, 2018

 

 

 

Localizado entre o Mar Cáspio e as montanhas do Cáucaso, o Azerbaijão é uma das nações mais antigas do mundo. Faz fronteira com a Rússia e Geórgia ao norte, a Armênia a oeste e com Irã e Turquia ao sul. Estrategicamente localizado, o país foi invadido e conquistado dezenas de vezes ao longo do tempo. Isso resultou em influências persas, turcas, islâmicas, asiáticos, européias e russa em sua sociedade. Foi também uma República da União Soviética até 1991, e é rico em reservas de petróleo, o que movimenta a economia, tornando a capital, Baku, em uma cidade vibrante e cultural.

Vários arranha-céus ultra modernos, largas avenidas, shoppings, boulevares ao ar livre com lojas internacionais, fazem da cidade um ponto estratégico e escapada dos vizinhos do Cáucaso.

Baku sedia uma etapa da Fórmula 1 há três anos e com contrato de mais dois anos apenas. A cidade ganhou reconhecimento mundial por conta disso. O governo está investindo pesado no turismo, pois precisam de um plano B quando o petróleo acabar.

A população do país é de cerca de 10 milhões de habitantes, sendo 2,5 milhões na capital, Baku. Cerca de 94% da população do Azerbaijão é muçulmana, mas curiosamente é um dos países islâmicos mais irreligiosos, grande parte não praticam  religião com frequência. Vi pouquíssimas mulheres usando o jihab ( lenço que cobre  a cabeça)e as mesquitas que visitei, estavam bem vazias.

O QUE VER E FAZER:

O incrível Haydar Aliyev Center projetado pela iraquiana e falecida recentemente, Zaha Hadid, impressiona pela ousadia e perfeição de suas formas. Um museu, uma galeria e  um auditório funcionam ali. Desses lugares que você não quer perder um ângulo sequer.

Gobustan é a região montanhosa que fica  amais ou menos uma hora de Baku, onde ficam as famosas cavernas, Patrimônio Cultural da UNESCO, onde estão cerca de 6.000 figuras rupestres nas rochas e são da Idade do ferro. Achei que só vale conhecer se você tiver muitos dias por lá, o meu caso ( passei 5 dias), ou se realmente você é um apaixonado pelo tema.

A Península de Absheron fica também cerca de uma hora de Baku, mas do lado oposto de Gobustan, junto ao Mar Cáspio.Chamada de terra do Fogo e dos castelos, onde ali fica o Templo de Ateshgah, que desde a antiguidade, foi um grande centro do Zoroatrismo, religião fundada na antiga Pérsia pelo profeta Zaratrustra, a quem os gregos chamavam de Zoroastro. É considerada como a primeira manifestação de um monoteísmo ético. Para alguns acadêmicos, os pontos chaves das principais doutrinas do Zoroatrismo sobre a escatologia e demonologia, como a crença no paraíso, na ressurreição, no juízo final e na vinda de um messias, viriam influenciar o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Tive bastante contato com o zoroastrismo o ano passado no Irã e foi muito bom rever tudo isso no Azerbaijão. Fiz estes dois passeios no mesmo dia e com um guia especializado, organizado com a Latitudes Viagens de Conhecimento, que planejou a minha viagem pela Armênia, Georgia e Azerbaijão.

A arte da tapeçaria atravessa séculos o Azerbaijão, e em toda essa região do Cáucaso e da Rota da Seda. O Museu do Tapete em Baku é visita obrigatória por diversos motivos: arquitetura arrojada, que faz lembrar um tapete enrolado, curadoria de peças maravilhosas, super bem expostas, interativo com diversas telas eletrônicas contando todos os tipos e regiões dos tapetes. Me perdi por umas boas horas nos três andares repletos de sonhos.

Fachada do Museu

Passear pelo boulevar de 17 km de extensão, as margens do Mar Cáspio, emoldurado pelas famosas Flame Towers, que levaram 5 anos para serem construídas e foram finalizadas em 2012. Com 182 metros de altura e ali funciona um hotel, apartamentos e escritórios.

 

Baku também é a capital cultural do país. Várias salas de música recebem shows de artistas dos mais diversos gêneros musicais. A Filarmônica Estadual e o Conservatório Estadual realizam regularmente concertos clássicos. A comunidade artística de Baku está agrupada em torno de edifícios que funcionam como ateliês concedidos pelo governo. Existem várias galerias de arte em toda a cidade que acolhem exposições regulares de obras de artistas locais. O Museu de Arte Moderna tem mais de oitocentas obras de artistas locais e inclui obras de Salvador dali, Pablo Picasso e Marc Chagall.

A parte antiga da cidade é murada e guarda um interessante labirinto de ruazinhas com um bom comércio local e de souvenires, além de restaurantes charmosos com comida local. Você pode subir na Torre e observar a vista linda de lá de cima.

ONDE COMER

São muitas opções de bons restaurantes em Baku. Sempre lembrando que bebida alcoólica só é servida nos hotéis. Tal como o Irã banhado pelo Mar Cáspio, o Caviar é uma iguaria fácil de encontrar em todos os bons restaurantes ( em torno de U$250 por 50 gramas). Carne de cordeiro é a mais comum, servida nos pratos típicos. Se você curte cordeiro, não deixe de provar a LAVENGI, cordeiro recheado com ervas e nozes. PLOV é um arroz de grão longo, aromatizado com açafrão e manteiga, delicioso. KABABLAR é um kebabs e tem um tipo que é de beringela, muito bom. DONER é o famoso “churrasquinho grego”do Oriente Médio. GUTAB é um tipo de empanada servida com recheio de carne, queijo ou vegetais. DOLMA, o nosso velho conhecido “charutinho”que pode ser recheado de repolho, pimentões, tomates e beringelas, bom demais.

RESTAURANTES INTERNACIONAIS:

ENERGI CLUB

360 BAR AND SKY GRILL no HILTON

BUDDHA BAR

PACIFICO CLUB

MARIVANNA

RESTAURANTES LOCAIS:

SUMAKH

MUZEY

SHIRVANSHAH

CHINAR

SHAIL

ONDE SE HOSPEDAR:

Sem sombra de dúvidas, no elegante Four Seasons com a localização mais incrível da cidade: ao lado da cidade antiga, em frente ao mar Cáspio e ao lindo boulevard na orla, além das melhores lojas a poucos passos e excelentes restaurantes walking distance. www.fourseasons.com

Fotos Flavia Pires, todos os direitos reservados.