Groelândia e seus encantos

Depois de conhecer a Antártica, a região de Svalbard no Ártico, a Islândia e o Alaska, a Groelândia estava na lista há tempos pra dar aquele check nos polos e conhecer de perto a maior ilha do mundo e um território autônomo e que faz parte do Reino da Dinamarca

Ver de perto aquelas cidadezinhas pitorescas coloridas perdidas “no meio do nada”, icebergs imponentes e ainda a chance de ver a Aurora Boreal, parecia o cenário perfeito.

Escolhi para fazer a aventura, o navio de expedições Swan Hellenic, expert em viagens para destinos remotos pelo mundo. Depois de ter feito alguns cruzeiros com a companhia, incluindo a Antártica, partimos no SH VEGA, navio exclusivo, com apenas 68 cabines. Saímos de Reykjavik capital da Islândia, rumo à Groenlândia. Essa expedição se chama GREENLAND IN DEPH e tem duração de 10 noites a bordo. 

O clima é ártico, com longos invernos e verões muito curtos. As temperaturas variam bastante entre as estações e faz muito frio, e chegam a trinta graus negativos. Ventos fortes e pouca luz solar, especialmente no norte da ilha, o sol não nasce por várias semanas, por isso a viagem acontece no verão, entre julho e começo de setembro.  Escolhi a última saída do verão, em final de agosto, já que as chances estão aumentadas para ver a Aurora Boreal, que geralmente acontece entre setembro e vai até março. 

Fazer esta viagem a bordo de um navio expedição é a forma mais confortável de visitar a ilha. Por terra os deslocamentos são mais complicados devido ao clima polar. A ilha é predominantemente coberta por uma camada de gelo, que cobre 80% de sua superfície. A paisagem é deslumbrante, com muitos fiordes, montanhas e tundras. A camada de gelo reina absoluta, já que é uma das maiores do mundo, com até 3 quilômetros de espessura. Devido ao clima frio, não existem árvores nativas na Groelândia.

A ilha enfrenta muitos desafios ambientais, como o derretimento das geleiras devido às mudanças climáticas, o que impacta tanto o ecossistema local quanto o nível do mar. Cientistas e estudiosos estão sempre muito atentos e preocupados com a situação. 

A Groelândia tem uma população pequena e diversificada, composta principalmente por Inuítes, conhecidos popularmente como esquimós, foram os primeiros habitantes da ilha há cerca de 4.500 anos e também de descendentes dinamarqueses. A capital da ilha é a cidade de Nuuk e a maior cidade de território. A cidade é cercada por montanhas nevadas, fiordes e vistas deslumbrantes do Oceano Ártico. A história de Nuuk é profundamente ligada à cultura Inuit, com muitas tradições ainda praticadas por habitantes locais. Vale uma visita ao pitoresco Museu nacional da Groenlândia, onde abriga artefatos que retratam a rica história cultural da região, incluindo vestígios de civilizações antigas. São apenas 18.000 habitantes na capital e que representam a maior parte da população da Groenlândia. A economia é baseada na pesca, no turismo e em serviços públicos.

Ali podemos ver os famosos cachorros que puxam trenós em viagens e caçadas, essenciais para o sobrevivência na região. Além disso, atuam como cães de guarda para proteger as comunidades e os rebanhos. Eles têm uma pelagem espessa e dupla que oferece proteção contra o frio, orelhas bem em pé e cauda enrolada nas costas. São inteligentes e independentes, mas também leais e afetuosos com suas famílias. E estão por toda a parte!

 

A caça na Groelândia é uma parte importante da cultura e da subsistência, especialmente do povo Inuit. Eles caçam focas, baleias e caribus, utilizando técnicas tradicionais que foram transmitidas por gerações. As focas são caçadas durante o inverno, quando seu movimento pode ser mais facilmente monitorado. As baleias são caçadas em águas abertas e geralmente requerem embarcações adequadas e equipamentos específicos. Além da prática de caça para a alimentação, muitos habitantes da Groelândia veem essa atividade como uma conexão vital com a sua cultura e identidade. O uso sustentável dos recursos naturais é fundamental, já que a caça é realizada de maneira a respeitar o meio ambiente e garantir a sobrevivência das espécies. Nos últimos anos, a caça tem enfrentado também muitos desafios, como as mudanças climáticas que afetam os habitats e as migrações dos animais. 

Visitamos a cidade de Ilulissat, que significa “caindo”em groenlandês, é é famosa por sua proximidade com a geleira Serem Kujalleq. Essa geleira é uma das mais ativas do mundo e produz uma enorme quantidade de icebergs, que flutuam em Disko Bay.. Esses icebergs são formados quando grandes blocos de gelo se quebram da geleira e se desprendem, criando estruturas majestosas e variadas. As cores dos icebergs podem variar do azul profundo ao branco brilhante, devido à pressão e à luz solar que criam diferentes efeitos. A área é um Patrimônio Mundial da UNESCO, reconhecida por sua importância ecológica e cultural. A beleza serena e o silêncio majestoso em torno dos icebergs é indescritível, um highlight na Groelândia! Não dá pra deixar de incluir a visita ao Museu de Ilulissat, um importante centro cultural e histórico que oferece uma visão fascinante da vida e história da região. Há uma ênfase especial na cultura Inuit, incluindo suas práticas de caça, vestuário, artesanato, permitindo um maior entendimento da vida dos povos indígenas da região. O museu também apresenta exposições temporárias que exploram diferentes aspectos da cultura groenlandesa e questões ambientais atuais. 

Sisimiut é a segunda maior cidade da Groelândia, com cerca de 5.500 habitantes e está localizada na costa oeste do país, ao norte da capital Nuuk. A cidade é rodeada por montanhas, fiordes e uma costa bem bonita. Nós fizemos um viking pela costa com paisagens bem pitorescas, o cenário era bem lindo, mesmo com a garoa que insistiu em nos acompanhar. Vale dar um giro pelo centrinho, com lojinhas, uma igreja, um pequeno museu e cafés charmosos.

Disko Bay é uma das áreas mais impressionantes e visitadas do país. A baía é famosa por sua beleza natural, com enormes icebergs flutuando nas águas azul-turquesa, originados da geleira Serem Kujalleq. A vista é incrível, especialmente quando os icebergs refletem a luz do sol. Ali fizemos passeios em barcos menores para avistar icebergs, caminhadas nas geleiras e caiaque nas águas tranquilas da baía. A vida selvagem é rica por lá, podemos avistar baleias, focas e diversas aves marinhas. 

Mergulhar nas águas congelantes também fazem parte da experiência dos mais aventureiros. E claro que não poderia ter deixado passar em branco!

O ponto alto da viagem foi sem dúvidas, as noites de Aurora Boreal, onde do conforto de nossas cabines ou no deck do navio, observamos esse fenômeno da natureza tão espetacular!

No meio do nada, o céu começa a brilhar em tons de verde, roxo e até vermelho! É como se a natureza estivesse fazendo uma festa de luzes. Tudo isso acontece porque o sol manda partículas carregadas que colhem com a atmosfera da Terra. Essas colisões criam esse show de luzes incríveis. As cores variam de acordo com os gases presentes na atmosfera e a altitude em que essas reações acontecem. 

E nós fomos presenteados várias noites com este espetáculo da natureza ao alcance dos nossos olhos! Momentos únicos que ficaram guardados na memória e no coração.

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