Livros interessantes sobre o Ártico

Sou grande adepta de ler muito sobre destinos que me fascinam, principalmente antes de viajar para eles. Na preparação para a minha ida ao Ártico, mergulhei num universo de leituras sobre o local e resolvi compartilhar aqui algumas indicações.

A Expedição Kon-Tiki, por Thor Heyerdahl (tradução de Agenor Soares de Moura)

Tudo começou com uma pergunta: como os povos antigos se locomoviam pelo globo? Quando nove toros de balsa, unidos em uma jangada semelhante às embarcações pré-históricas utilizadas pelo deus-sol Kon-Tiki, deixaram as costas do Peru em 1947, o norueguês Thor Heyerdahl e seus cinco companheiros, mesmo sem qualquer experiência em navegação, tinham uma única certeza: só o sucesso da travessia que empreendiam explicaria as relações pré-históricas entre a América e a Polinésia. Cento e um dias mais tarde, a 8 mil quilômetros de distância, a expedição Kon-Tiki encalhou nos recifes do atol de Raroia e provou ao mundo a revolucionária teoria de Heyerdahl. Além disso, mudou a história das migrações no Pacífico e deu início a uma nova era para as explorações modernas. No livro A expedição Kon-Tiki, Thor Heyerdahl relata detalhadamente sua experiência e cria uma obra-prima de reconstituição pré-histórica. Mais do que uma grande aventura, a obra de Heyerdahl representa um grande marco da ousadia humana. Tanto que o livro se tornou um clássico das explorações modernas e inspirou uma série de aventuras na segunda metade do século XX. Através de uma narrativa empolgante e surpreendente, Thor Heyerdahl faz com que o leitor entre em contato com os grandes segredos das antigas civilizações e viva todas as dificuldades e emoções de se cruzar um gigantesco oceano em uma embarcação alheia a qualquer avanço tecnológico. A expedição Kon-Tiki é uma leitura obrigatória para quem se interessa pelos mistérios da História e pelas grandes aventuras da vida real.

Conquistadores, por Roger Crowley (tradução de Helena Londres)

Como uma nação pequena e pobre desfrutou de um século de supremacia marítima, descobrindo rotas e novas terras? A partir de cartas, documentos inéditos e testemunhos oculares, Roger Crowley conta a história da ascensão rápida e espantosa de Portugal ao poder. Considerado pelo jornal The New York Times um proeminente historiador da Europa dos séculos XV e XVI, Crowley revela que Portugal se valeu, principalmente, da ousadia e da habilidade de seus exploradores navegantes. A descoberta da rota para a Índia, a campanha de conquista imperial sobre os governantes muçulmanos e a dominação do comércio de especiarias ajudaram a forjar o primeiro império global. Em Conquistadores, o autor dá vida às personalidades que construíram o império português. Personagens como o rei Manuel, “o Venturoso”, d. João II, “o príncipe perfeito”, o saqueador governador Afonso de Albuquerque e o explorador Vasco da Gama misturavam suas ambições particulares com os objetivos públicos do império, muitas vezes sofrendo perdas espantosas em busca da riqueza global.

Oceano sem Lei, por Ian Urbina (tradução de Livia de Almeida)

Há poucas fronteiras ainda não exploradas em nosso planeta. Talvez a mais selvagem, e quase desconhecida, sejam os oceanos: grandes demais para serem policiados e sem jurisdição internacional evidente, essas imensas regiões de águas traiçoeiras abrigam índices galopantes de criminalidade e exploração. Traficantes e contrabandistas, piratas e mercenários, ladrões de naufrágios, vigilantes conservacionistas e caçadores, pessoas que realizam abortos em alto-mar, despejadores ilegais de petróleo, escravos acorrentados e passageiros clandestinos à deriva. Valendo-se de cinco anos de investigações perigosas e intrépidas, muitas vezes a centenas de quilômetros de distância da costa, o premiado repórter Ian Urbina nos apresenta os habitantes deste mundo oculto. Com histórias de espantosa coragem e brutalidade, sobrevivência e tragédia, revela-se a rede global de crime e exploração vinculada às indústrias da pesca, do petróleo e da navegação, e da qual dependem inúmeras economias mundiais. O Brasil ganha destaque no capítulo que relata o embate entre companhias interessadas em perfurar o solo oceânico na costa do país e pesquisadores locais. Empresas que ganharam, em 2013, concessão do governo para explorar a área em busca de petróleo, mas voltaram atrás depois que o Greenpeace auxiliou os cientistas na realização de um estudo que provava a existência de recifes de corais na área ― um ecossistema vivo e rico que fornece proteção e alimentação a diversas formas de vida marinha. Oceano sem lei é o desdobramento de uma série de reportagens inovadoras, escritas pelo autor e publicadas pelo The New York Times. Traz à tona, pela primeira vez, a realidade perturbadora do mundo flutuante que nos conecta: um lugar onde qualquer um pode fazer qualquer coisa porque ninguém está vigiando.

O mar é minha Terra, por Beto Pandiani

Nesta obra, que tem como fio condutor o diário de bordo da Travessia do Pacífico – sua viagem mais recente a bordo de um catamarã sem cabine, e também a mais longa delas – o velejador Beto Pandiani relembra passagens imperdíveis de suas cinco jornadas anteriores e recupera uma boa parte de sua trajetória pessoal, passando por momentos de sua infância, juventude e maturidade.As narrativas, que envolvem a busca e o encontro com o pai e irmãs desconhecidas, arrebatam por sua delicadeza enquanto conduzem o leitor a paisagens e pensamentos longínquos, onde somente uma expedição pelos mares e oceanos pode conduzir. Trata-se, portanto, do primeiro livro de memórias de Beto Pandiani, em que o velejador revela-se um narrador hábil e um excelente contador de histórias, capaz de levar o leitor a navegar em ondas que mesclam momentos de calmaria a situações de risco extremo, viagens interiores e aventuras ao redor do globo às quais a maioria das pessoas jamais se arriscaria.

Latitudes azuis, Tong Horwitz (tradução de Ana Deiro)

Quando o aventureiro James Cook inicia sua viagem de descobrimento, em 1768, um terço do globo terrestre ainda não constava do mapa. Onze anos depois, quando morre em confronto no Havaí, o britânico já havia se transformado no maior explorador da superfície terrestre. As três viagens épicas do desbravador são recontadas pelo premiado jornalista e escritor norte-americano Tony Horwitz em Latitudes azuis. Tony Horwitz homenageia o capitão Cook com uma deliciosa mistura de livro de história e diário de viagem. Latitudes azuis começa com a descrição da bizarra e fascinante história da morte do Capitão Cook, brutalmente assassinado por guerreiros havaianos, e narra ainda as aventuras vividas pelo próprio autor ao refazer a trilha do desbravador do século XVIII. Navegando como parte da tripulação de uma reprodução do veleiro Endeavour, uma das embarcações de Cook, o jornalista repete alguns dos roteiros das três grandes viagens do explorador inglês pelo Oceano Pacífico. O livro é um diário de bordo bem-humorado que se revela logo no subtítulo original, Incursões audaciosas aos lugares por onde passou o capitão Cook. No roteiro, o leitor encontrará detalhes sobre Havaí, Bora Bora, Taiti e Nova Zelândia, com divertidos perfis de personagens que o autor encontrou pelo caminho. Mas Horwitz também revela as tremendas dificuldades que o capitão Cook enfrentou ao deixar o conforto da Londres georgiana para conhecer e revelar ao mundo esses distantes lugares em pleno século XVIII. A jornada inclui também dois dos lugares mais inóspitos por que passou o marinheiro inglês: o gelado estado americano do Alasca e a pequena ilha de Tonga.

No Reino do Gelo, Hampton Sides (tradução de Berilo Vargas)

No final do século XIX, o mundo era bem diferente de como o conhecemos hoje. Os Estados Unidos eram um jovem país em acelerado crescimento após a Guerra Civil, invenções tecnológicas apareciam a todo momento e muitas partes do globo ainda continuavam completamente inexploradas. Entre elas estava o Polo Norte. George Washington De Long, jovem tenente da Marinha americana, ficou obcecado pelo Ártico após retornar de uma viagem de resgate na costa da Groenlândia. Inspirado pela teoria amplamente difundida (embora pouco fundamentada) de que haveria águas quentes e navegáveis no topo do planeta, permitindo talvez a existência de terras e até mesmo civilizações perdidas, De Long traça um plano minucioso para alcançar esse local desconhecido. No mesmo período, James Gordon Bennett Jr., o rico e excêntrico proprietário do New York Herald, em busca de uma história que gere comoção nos leitores, decide patrocinar a expedição de De Long. Com a ajuda financeira do magnata, o navegador encontra e reforma o navio perfeito para a aventura e tem acesso aos mais variados equipamentos, a cartas de navegação e a círculos políticos, conseguindo todo o apoio necessário para a jornada. Em 8 de julho de 1879, De Long e uma tripulação de 32 homens zarpam de São Francisco no USS Jeannette com o ambicioso objetivo de alcançar o Ártico pelo estreito de Bering, em vez da até então conhecida rota ao longo da costa da Groenlândia. No entanto, apenas dois meses após a partida o Jeannette fica totalmente preso a uma enorme banquisa, e assim permanece por quase dois anos, flutuando ao sabor da maré em meio ao oceano congelado. Quando, na primavera de 1881, parece que o navio finalmente se libertará de sua prisão, um violento choque com um bloco de gelo força os homens a abandonarem a embarcação. Horas mais tarde, o Jeannette afunda, e sua tripulação se vê obrigada a vencer a pé e em pequenos botes os mil quilômetros de oceano congelado que a separam do norte da Sibéria e da frágil tentativa de sobrevivência. Enfrentando os terríveis efeitos do frio e da neve, a fome, ferozes ursos polares e labirintos de gelo, a tripulação segue rumo a um destino incerto. Com reviravoltas impressionantes, No reino do gelo é uma fascinante história de heroísmo e determinação num dos locais mais implacáveis do planeta.

Explore também:

Traduza