Safári na reserva de Maasai Mara no Quênia

 

 

Fazer um safári sempre esteve na minha bucket list, e finalmente chegou a minha hora! Mas o melhor de tudo é que foi em um dos lugares mais incríveis da África, o Quênia. Eu sonhava em conhecer a famosa tribo Maasai e unir essas duas experiências foi algo muito especial pra mim.

O Quênia foi a sétima parada da viagem em um jato privativo que a Latitudes Viagens de Conhecimento organizou em outubro de 2019, o AROUND AFRICA, como já contei aqui. Eu me juntei ao grupo no aeroporto de Nairóbi, capital do Quênia e embarcamos juntos nesta etapa.

Chegar ao Quênia é bem tranqüilo, voei de South African São Paulo-Johanesbourg- Nairóbi. Na capital Nairóbi dormi uma noite no hotel Kempinsky e no dia seguinte embarquei para a reserva Maasai Mara em um avião pequeno, um voo suave com duração de uma hora.

A hospedagem foi no exclusivo ANGAMA MARA, um lodge belíssimo e considerado um dos melhores da região, que fica no alto de um platô, o Great Rift Valley na reserva de Maasai Mara.

O Angama oferece safáris “tailor-made” e apenas 30 tendas, com todo conforto e uma estrutura incrível. Isso sem contar no serviço de altíssimo nível e a doçura que é conviver com os quenianos.

As tendas são extremamente confortáveis e com uma decoração super original. Tons de vermelho predominam nos detalhes, já que é a cor oficial da tribo Maasai. Um varanda generosa com vista para a savana e a ampla suíte tem absolutamente tudo para deixar sua estadia o mais aconchegante possível.

A área da piscina e SPA é super agradável e é anexa a uma loja, repleta artesanatos regionais muito lindos. Grande parte deles confeccionados ali mesmo no hotel por simpáticas artesãs, que também oferecem aulas previamente agendadas para aprender a fazer bijuterias em miçangas. Outro detalhe muito bacana é que o Angama tem uma loja onde você pode alugar equipamento fotográfico, câmeras e lentes super poderosas para tornar seu safári mais especial ainda, caso não tenha trazido um bom equipamento.

Artesãs trabalhando na loja do hotel

O restaurante do Angama oferece uma culinária internacional e um cardápio bem amplo, agradando todos os paladares.

Os finais de tarde foram coroados com por do sol regado à drinks, cada dia em um lugar diferente do hotel. E um dos dias, com uma apresentação lindíssima de integrantes da tribo Maasai cantando e dançando, em um espetáculo que vai ficar guardado pra sempre na minha memória.

Recepção calorosa para o sunset drinks

Os Maasai reunidos e nos mostrando suas danças típicas
O famoso salto Maasai

Agora vamos ao tão esperado safári! O Quênia é famoso pela abundância de vida selvagem e também por encontrar facilmente os chamados Big Five ( leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte). Eu só não vi o rinoceronte, os demais tive a chance de vê-los em fartura. As planícies entre o Rio Mara e as escarpas Esoit Oloololo são as melhores áreas para se observar os animais. Os leões predominam nessa região e também as manadas de zebras. Os pássaros aparecem em abundância, segundo estudos, são cerca de mais de 470 espécies.

Os animais mais comuns na reserva Maasai Mara

Ter tido a oportunidade em observar os carnívoros em plena caça foi também uma experiência sensacional. Ver de perto a lei de sobrevivência da selva é algo único. O instinto maternal da leoa em caçar para alimentar seus filhotes acaba nos confortando. A lei da selva é forte.

Os “Game Drives” começam muito cedo, geralmente antes das 6 horas, quando a chance de ver os animais ao nascer do sol é bem maior do que com o sol a pino. Logo no primeiro dia fizemos uma rodada longa, de quase 7 horas. Pra falar a verdade, eu nem vi esse tempo todo passar. Os Rangers vão se comunicando com os outros carros do hotel e vão passando as melhores localizações para vermos os animais. E fora, que eles são profissionais em achar os animais, muitas vezes estão camuflados na savana e só eles com tanta experiência, conseguem encontrá-los. Nosso primeiro dia foi espetacular, vimos muitos animais. Eu gostei tanto da experiência, que no fim da tarde repeti a dose no por do sol e saí para mais um game driver. Mas sem dúvida, pela manhã vimos muito mais animais do que a tarde.

No outro dia acordamos bem cedo para o passeio de balão, mandatório na região. A beleza em ver a  imensidão da savana de cima realmente foi muito bacana. Como já contei outras vezes, eu nunca perco a chance de voar de balão, acho sempre fascinante! Infelizmente desta vez não vimos nenhum animal, foi uma pena… a natureza não é matemática…mas valeu pelo visual!!!! Nosso passeio terminou com um lindo café da manhã preparado na savana!

O dia amanhecendo na reserva Maasai Mara

Café da Manhã

Saindo dali, como ainda era muito cedo, fomos conhecer uma escola da região, experiência que a Latitudes Viagens de Conhecimento sempre inclui em todas as suas viagens e que eu acho um baita diferencial: ter contato direto com a cultura local, uma vivência e integração com moradores em situações bem cotidianas. Nós fomos conhecer a escola PARTAKILAT, que abriga 150 alunos (80 meninos e 70 meninas) que moram nesta escola porque foram salvos de uma prática terrivelmente aplicada em muitas regiões principalmente rurais da África: a mutilação genital. As meninas passam por ritos como a clitoridectomia (remoção do clitóris) durante a puberdade. São as mulheres mais velhas que operam as meninas. O governo queniano e ONGS querem acabar com esta prática que atravessa gerações e é uma luta incessante e muito triste. A escola é muito pobre, as crianças dormem no chão, muitas vezes só fazem uma refeição por dia. Nós levamos 150 camisetas do Brasil e vocês não imaginam da alegria deles todos vestidos com roupas novas. Passamos uma manhã inteira na escola brincando com eles, crianças extremamente doces, sorridentes, onde interagimos através de jogos e até teve uma partida de futebol super divertida. Saímos todos de lá com o coração devastado em imaginar como o mundo é tão cruel e que a lei da sobrevivência é implacável dentro e fora da selva. O hotel Angama onde estávamos hospedados colabora muito com o todo o entorno da reserva através de trabalho social local e ajuda muito a esta escola. Foi através deles que chegamos até ela.

A parte da tarde foi dedicada a conhecer uma vila onde mora a tribo Maasai, este grupo étnico que ainda preserva muito de suas tradições culturais e que vivem no Quênia e na Tanzânia. Por ser uma tribo semi- nômade, é difícil estimar ao certo sua população entre os dois países, pois eles atravessam livremente a fronteira. Mas estima-se que são cerca de 500.00 pessoas em cada país. No Quênia eles estão distribuídos em 40 tribos.

Conhecidos como “Bravos Guerreiros Vestidos de Vermelho”, a cor oficial dos Maasai, presente nas vestimentas e  nos muitos acessórios ( de enlouquecer, diga-se de passagem). Este povo tem muitas peculiaridades e ainda vivem como se não existisse a passagem do tempo.

O gado é a principal fonte de alimento e a classe social dos Maasai é determinada pelo número de vacas pertencentes à família. Os casamentos são arranjados e as mulheres só podem se casar uma vez na vida, enquanto os homens podem ter mais de uma esposa. Se possuírem vacas suficientes para o dote, podem ter mais de uma esposa ao mesmo tempo. A maioridade dos jovens Maasai é aos 14 anos e através do ritual de circuncisão, onde são proibidos de fazer qualquer ruído durante o ritual. Milhares de meninos da mesma faixa etária fazem na mesma época e vivem juntos na mesma aldeia. Antigamente quando alcançam a vida adulta, os homens da tribo deveriam matar um leão para poder sair de casa e passar um tempo vivendo na floresta, como prova de que já passou para a fase adulta. Hoje é proibido matar o leão, mas nesta aldeia que fomos visitar, ainda havia vestígios desta prática no cocar de um deles.

Me contaram também que a tradição da competição de quem salta mais alto entre os homens da tribo Maasai começou para substituir a caça ao leão. Desta forma, quem salta mais alto, ganha mais prestígio na aldeia. E é incrível como saltam!!!

As casas onde vivem os Maasai são chamadas de ENKANG, construídas em círculo e feitas com esterco de vaca e barro. Uma curiosidade é que são as mulheres quem constroem as casas e as fazem da sua altura. O interior das casa é de uma simplicidade inacreditável. Não há camas e eles dormem em um estrado feito de folhas e gravetos. Detalhe que os homens Maasai são super altos devido à genética e à alimentação a base de muita proteína. Outra curiosidade é que eles se alimentam do sangue tirado fresco da vaca, mas não a matam, já que são extremamente valiosas. Eles estancam o sangue garantindo assim, a sobrevivência do animal.

Um mercadinho com o artesanato fabricado ali mesmo pelos artesãos está disponível após a visita à aldeia. Bom reservar um tempinho porque tem coisas muito bonitas. Acabei me arrependendo de não ter levado mais coisas, o artesanato é de uma riqueza única. E também, poder colaborar para o sustento destas famílias (com muitas crianças) é uma excelente causa. Acabamos por fazer uma “vaquinha”ali mesmo e doamos o valor de uma vaca para a comunidade.

A melhor época para visitar o Quênia de junho à outubro que não são tão quentes e fazem lindos dias de sol.

Acho que foi a forma mais primitiva e impactante que vivenciei até hoje nas minhas andanças em quase 80 países pelo mundo. É realmente impressionante como esta tribo vive e sobrevive nos dias atuais.Recomendo vivamente esta experiência. Uma verdadeira lição de vida!

INDICAÇÃO de livro e filme: A Maasai Branca, baseado em uma história real e o filme Out of Africa, um clássico.

O QUE LEVAR PARA UM SAFÁRI:

Primeiro de tudo é uma mala dessas moles de lona estilo duffle. Os aviões que te levam às reservas são pequenos e consequentemente tem limite de peso (maioria 15 kg). Verifique todos os detalhes na compra dos bilhetes, isso é super importante, porque não há excessões de estiver com peso acima determinado, simplesmente não embarca.

Uma câmera com lente poderosa com zoom 400mm ou mais é o recomendado para ter um alcance e garantir boas fotos. Caso não tenha o equipamento adequado, verifique se o seu hotel tem para alugar. Os lodges 5 estrelas costumam ter, veja com antecedência. A câmera que eu levei é uma NIKON P1000, que pesa apenas 1,4 kg e vem com uma lente absurda de 24-3000mm. A grande vantagem dela é ser bem leve, filmar em 4K, ter WIFI e Bluethooth. Foi perfeita pra mim, que não sou profissional, mas prezo por fotos de qualidade. A Nikon já lançou a P1100, versão mais moderna da minha!

Binóculos também são fundamentais! O Angama oferecia aos hóspedes, mas acho essencial você ter o seu, ainda mais se for visitar outras reservas.

Bom levar um casaco, fleece, gorro e uma pashmina para se proteger do vento frio pela manhã e no fim do dia. Como os carros são abertos, o vento é congelante. Se você for no inverno, o frio é grande, fique de olho na temperatura!!!!

Te animei em conhecer esta experiência de perto?

A Latitudes Viagens de Conhecimento pode te ajudar com toda sua expertise a montar um roteiro sob medida para a Africa!

Fotos Flavia Pires, todos os direitos reservados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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