Jalapão desvendado

Por: Flávia Pires 1 julho, 2018

 

 

Foi em 1988 que o norte do estado de Goiás foi emancipado, passando a se chamar Tocantins. Localiza-se na região leste do Brasil, ponto em que o Tocantins faz divisa com a Bahia, o Maranhão e o Piauí. Hoje, com cerca de 1.550 milhões de habitantes, possui um dos mais baixos índices de densidade demográfica do Brasil.

Sua capital é Palmas, uma cidade cuidadosamente planejada e que possui 290 mil habitantes. Lá foi o meu ponto de partida para visitar o Parque Estadual do Jalapão, que fica a 320 km de distância da capital. Me hospedei no Girassol Plaza Hotel, bem central. Não deixe de conhecer no dia em que chegar à Palmas, a famosa Feira da 304, um mercado popular, onde você encontra diversas barracas com o lindo artesanato de Capim Dourado e comidinhas típicas: tapioca de carne de sol e paçoca de carne de sol, ambas deliciosas.

Quando comecei a pesquisar sobre as melhores maneiras de hospedagem e logística dos passeios, acabei optando pela empresa Korubo, pioneira na região, com 18 anos de experiência. Eles trabalham com um pacote fechado, que começa com uma noite de hospedagem em Palmas (às terças feiras). Na quarta-feira cedo embarcamos em um ônibus rumo à cidade de Ponte Alta (200km por estrada asfaltada) onde lá paramos para almoçar e trocamos de veículo, passamos para um caminhão adaptado, com 25 lugares e por onde seguimos 120 km em estrada de terra até o parque.

Esse percurso dura cerca de 09 horas. A estrada de terra dificulta bastante o trajeto. As distâncias são enormes. Algumas chegam a 80 km em estrada de terra o tempo todo, o que torna os deslocamentos MUITO cansativos. Eu conto isso, porque eu não tinha ideia do quanto teríamos que ficar dentro do carro. É muito tempo, chega uma hora que exaure. A viagem é muito dura, não é todo mundo que tem esse espírito.

Chegando no acampamento, a primeira impressão foi a melhor possível. Barracas muito bem estruturadas, com duas camas e banheiro individual (o banho é comunitário ao lado de fora). Tudo muito limpo e organizado.

O refeitório é responsável pelas refeições caseiras, bem feitas e gostosas, com muitas opções de produtos frescos. Destaque para a Paçoca de Carne de Sol, típica da região.

O acampamento fica na beira do Rio Novo e conta com uma prainha particular, onde ali é feito um passeio de caiaque.

Os passeios começam logo cedo, 7 ou 8 horas da manhã, dependendo do dia. O que eu não gostei do esquema da Korubo foram os grupos muito grandes, cerca de 24 pessoas e muito heterogêneo, idades muito diferentes, de 20 a 80 anos. A dinâmica fica meio lenta com tanta gente. E achei poucos os passeios incluídos.

Eles ofereceram os seguintes passeios:

DIA 1 CANION DE SUÇUAPARA Paramos para conhecer no caminho para o acampamento. Um verdadeiro oásis em meio à aridez do cerrado, com suas águas que escorrem por uma fenda entre as rochas.

DIA 2 RIO NOVO  Um dos últimos afluentes de água potável do mundo. Com fundo de areia, o rio forma belíssimas prainhas junto às margens. Passeio de caiaque bem gostoso, com uma paisagem maravilhosa.

 

DUNAS O famosos por do sol nas Dunas do Jalapão é obrigatório, formadas por areia de quartzo de coloração dourada. Um visual único e cheio de energia.

De qualquer ponto da estrada, todos os dias, o por do sol é de arrepiar de tão lindo.

DIA 3 POÇO DO FERVEDOURO Uma nascente de água cercada por lindas bananeiras e fundo de areia branca. Lindo de morrer, mas com um inconveniente: só podem entrar 6 pessoas por vez e ficar apenas 15 minutos. A maioria dos fervedouros tem essa prática. As filas são grandes, a nossa levou 1 hora e meia. Mas a cor da água é inacreditável, as nascentes de água geram o fenômeno da ressurgência. A pressão da água nascente na areia, deixam as pequenas partículas de areia em suspensão e é impossível afundar. Uma sensação única e deliciosa. A força desse fenômeno varia de fervedouro para fervedouro, bem como o tamanho e a tonalidade da água. Em comum, eles tem o fato da água ser cristalina e o lugar ser rodeado de uma belíssima vegetação.

CACHOEIRA DO FORMIGA Na minha opinião, a mais linda de todas. A cor da água é esmeralda e a temperatura muito agradável. Ali não tem tempo prescrito, foi o lugar que mais aproveitamos.

FERVEDOURO DO KORUBO A empresa tem um fervedouro próprio, onde ali mesmo foi servido o almoço neste dia.

MATEIROS É a cidadezinha onde ficam muitas pousadas que atendem aos turistas no Jalapão. Paramos ali para conhecer o centrinho e tomar um sorvete.

DIA 4 CACHOEIRA DA VELHA Uma linda queda água de 20 metros, a maior do Jalapão, passamos por ali no caminho de volta à Palmas.

RIO DO SONO Com uma prainha linda, o Rio do Sono tem águas cristalinas com fundo de areia dourada, lindo demais!

A outra opção fora o Korubo, é você ficar em uma das pousadas localizadas em Mateiros e contratar uma empresa, que nada mais são do que motoristas/guias que com suas caminhonetes 4×4, fazem todos estes passeios em um roteiro montado pra você em função do número de dias que você tiver. Por ser mais personalizado e com uma dinâmica mais otimizada, dá pra conhecer mais lugares e ficar um pouco mais livre, menos “engessado”. Não tem o charme do acampamento da Korubo ( que eu adorei), mas acredito que tenha mais agilidade e um carro privativo (definitivamente não gostei de viajar com 24 pessoas). Tive oportunidade de conversar com três empresas lá e conheço pessoas que ficaram satisfeitas com eles, veja no instagram:  @jalapao360 e @jalapao100limites @jalapaoextremo

Importante deixar claro que é uma viagem muito cansativa, não é um destino fácil, apesar de ser lindo, único. Valeu muito ter conhecido, levarei boas lembranças!

Quando ir? Evite novembro à março, época das chuvas.

Fotos Flavia Pires, todos os direitos reservados.