Templo Jainista em Ranakpur

O Jainismo é uma das religiões mais antigas da Índia, juntamente com o Hinduísmo e o Budismo, compartilhando com este último a ausência da necessidade de Deus como criador ou figura central. Acredita-se que no mundo hoje, existam cerca de 4 milhões de crentes, alguns poucos na América do Norte e Europa devido à movimentos migratórios, mas grande parte na Índia.

A palavra jainismo tem suas origens no verbo sânscrito jin que significa “conquistador”. Os seus adeptos devem combater através de uma série de estágios, as paixões de modo a alcançar a libertação do mundo. Baseia-se também na doutrina da não violência em relação a todos os seres vivos.

Os mais notáveis templos jainistas do Rajastão na Índia fica em Ranakpur ( Distrito de Rajsamand, 90km a NO de Udaipur) e eu tive a oportunidade de conhecê-lo e ver a uma magnífica , rica e variada ornamentação escultural, feita em mármore branco extraído de Makrana, que também forneceu o mármore do Taj Mahal.

Acima de tudo, são testemunhos da incrível arte dos entalhadores de mármores que criaram estas verdadeiras obras-primas.

O exterior sem entalhes do Templo de Adinath, do século XV, contrasta com a profusa decoração interior. Isso simboliza a crença jainista da insignificância das formas exteriores e a importância de uma rica vida interior.

Uma floresta de colunas entalhadas (são 1.444 pilares) ligadas por arcos ondulados leva ao santuário principal do Templo Vimala Vasahi de Dilwara. Data do século XI.

O teto mostra a arte dos entalhadores de mármore do Rajastão, o trabalho é tão delicado que o mármore, em partes, fica translúcido. É realmente muito impressionante, parece uma renda.

A Placa de Parsvanatha mostra o vigésimo terceiro tirthankara protegido por uma cobra de muitas cabeças. Fica na parede sul do templo de Adinath.

Sem dúvida, um lugar mágico, sagrado, uma cultura totalmente diferente, um povo acolhedor, uma paz única. Conhecendo uma nova religião e saindo da nossa realidade ocidental, entramos em contato com novas experiências e sensações, deixamos de ser egoístas e egocêntricos; preconceituosos e racistas. Expandimos nossas emoções e deixamos um mundo novo entrar em nossas almas. A Índia é assim. Não tem como não voltar diferente.

Ranakpur-benção

Fotos: Flavia Pires, todos os direitos reservados.

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