Há tempos a região de Salta e Jujuy na Argentina estavam na minha lista de lugares para conhecer! Eu morei 5 anos em Buenos Aires e acabei não indo explorar o norte do país e suas belezas.
Enfim, chegou a hora de conhecer essa região e meu ponto de partida foi a cidade de Salta. Conhecida por sua arquitetura colonial espanhola, fazendo um mix com a cultura andina e paisagens montanhosas deslumbrantes, Salta ganhou meu coração logo de cara.
Nos hospedamos no dia da chegada no charmoso Legado Mítico, filial do hotel-boutique em Buenos Aires, no coração de Palermo e que sempre indico pra quem for ficar na capital Portenha e quer ficar mais tranquilo no bairro mais hypado da cidade. A filial de Salta é também muito bem localizado e mantém o charme da capital com poucos quartos em um casarão histórico com um lindo pátio interno e decoração cheia de personalidade. A estadia foi breve de apenas uma noite e aproveitamos para jantar em um simpático restaurante ali pertinho, o José Balcarce Bistrô. Pedimos pratos típicos da região e não poderia faltar as famosíssimas Empanadas Salteñas, as mais tradicionais de toda a Argentina! E claro, os ótimos vinhos argentinos para acompanhar!


A cidade foi fundada em 1582 e está localizada em um vale cercado pelas montanhas das Cordilheiras dos Andes, com o rio escoando por seu centro. As ruas de Salta são estreitas, de paralelepípedos e repletos de edifícios coloniais bem preservados, como a Catedral de Salta, O Museu de Arqueologia de Alta Montanha e o Convento de São Francisco.
Uma das atrações turísticas mais populares em Salta é o Trem de Las Nubes, um passeio panorâmico de trem que viaja pelas montanhas e atinge altitudes de até 4.220 metros acima do nível do mar. O passeio também inclui visitas à comunidades andinas, lagos e paisagens impressionantes.
Em resumo, Salta é uma cidade encantadora e uma excelente base para explorar a cultura andina e as belezas naturais da região norte da Argentina.
Compartilho com vocês meu roteiro organizado pela Venturas Viagens, empresa especializada em turismo de natureza e aventura. Adianto que esse foi um roteiro experimental da agência, portanto, fui convidada a conhecer junto com eles essa região para que seja montada uma viagem mais completa, de acordo com os desejos dos clientes e bem personalizada.
PRIMEIRO DIA: Acordamos logo cedo e pegamos a estrada rumo à Cafayate pela linda estrada Ruta 68 e um total de 200 km por uma estrada belíssima. Fizemos paradas estratégicas em diversos pontos da estrada:







Paramos para almoçar na Finca El Retiro, uma das propriedades da vinícola Porvenir, casarão histórico que foi construído no final do século 18, que possui um hotel bem familiar, um restaurante e uma área bem bonita com as vinhas.



Seguimos para a bodega que fica no centrinho e fizemos um tour pela produção de vinho e também uma degustação bem gostosa. A vinícola produz 350.00 garrafas por ano e 60% da sua produção vai para exportação nos quatro cantos do mundo. Degustamos o Torrontés, uva famosa na região de Salta, um outro vinho de corte Cabernet Franc-Malbec e um Tannat que estava muito bom! Eu não conhecia esta vinícola e gostei bastante da qualidade dos vinhos.



Dormimos no Grace Cafayate, um hotel localizado em uma vinícola de 1360 hectares a três horas do centro de Salta. O hotel dispõe de 52 suítes em formato de Villas, com cara de Residences, um estilo bem americano e super confortável. As Villas são grandes, algumas com dois andares e um grande terraço com parrilla e jacuzzi, perfeitas para férias em família. Uma grande piscina externa, campo de golfe, SPA, restaurante especializado em gastronomia local, entre outras comodidades. Cada suíte tem uma vista espetacular para as vinhas e para as montanhas.







Aproveito para fazer um comentário: gostaria de ter ficado mais uma noite aqui para fazer um hiking e também conhecer mais alguma outra vinícola na região.
SEGUNDO DIA: Seguimos viagem pela famosa Ruta 40, uma das mais incríveis e extensas estradas da Argentina, que atravessa cerca de 5.100 km de sul a norte, desde Cabo Vírgenes na Terra do Fogo, até a fronteira entre Argentina e Bolívia. A estrada se estende por diversas regiões e paisagens, desde montanhas, desertos, vinícolas, cidades históricas e povoados isolados.

Paramos na Quebrada de Las Flechas, um trecho belíssimo da Ruta 40, que fica entre Cafayate e Cachi, em uma área de paisagem desértica e bem montanhosa.


Las Flechas é na verdade, um conjunto de formações geológicas de arenito meio avermelhado, em formatos que parecem flechas, que se erguem verticalmente, formando deslumbrantes paredes rochosas. A paisagem é verdadeiramente impressionante, com os raios de sol iluminando de forma dramática as pedras vermelhas que lindamente contrastam com o céu azul. Lindo de doer!

Fomos em direção à Bodega Colomé que fica no Vale Calchaquí, uma região conhecida por produzir alguns dos melhores vinhos da Argentina. A Colomé é uma das mais famosas e importantes vinícolas da região. Agendamos previamente uma degustação, seguida de um almoço e visita à coleção privativa do proprietário, um grande colecionador de arte. Hoje, a vinícola produz 800.000 garrafas ao ano e grande parte da produção é destinada à exportação.

A Bodega está localizada a cerca de 3.000 metros acima do nível do mar, foi fundada em 1831 pelo industrial europeu Nicolás Severo Carrasco e nos anos 90 foi adquirida pelo suíço Donald Hess, que se apaixonou perdidamente pela região.

A vinícola é reconhecida por sua produção de vinhos de alta qualidade, utilizando práticas sustentáveis de cultivo e produção. A região de Salta possui uma elevada altitude, clima seco e sol forte, o que proporciona frutas de grande intensidade e sabor aos vinhos. Os vinhedos da Colomé possuem idades e altitudes variadas, o que possibilita produção de vinhos de diferentes estilos e sabores.
Os meus preferidos são:
Colomé Estate Malbec: um vinho tinto intenso, com notas de frutas vermelhas e especiarias, com taninos macios e equilibrados.
Colomé Autentico Malbec: um vinho tinto com aromas frescos de frutas vermelhas e negras, equilibrado com notas de especiarias, como pimenta do reino e cravo.
Colomé Estate Torrontés: É o único Torrontés que gosto, não sou fã dessa uva ( acho muito frutada para o meu paladar) é a uva mais famosa nessa região de Salta na Argentina. Branco, seco e aromático, com notas de frutas cítricas e flores brancas.
Colomé Lote Especial Malbec: um vinho tinto elegante, com aromas complexos de frutas vermelhas e negras, chocolate e baunilha, e uma acidez fina com taninos concentrados.



A vinícola Colomé tem como filosofia a produção de vinhos orgânicos e biodinâmicos, utilizando o mínimo de produtos químicos e métodos tradicionais para preservar a qualidade e a autenticidade dos vinhos. Os vinhos Colomé foram reconhecidos e premiados em diversos concursos internacionais, consolidando a Argentina como um dos principais produtores de vinhos do mundo.

Na imensa propriedade da vinícola de 39.000 hectares há um museu de arte contemporânea que abriga a coleção privada de Hess, com obras de artistas de renome, entre eles, James Turrell, artista americano nascido em Los Angeles em 1943, conhecido mundialmente por suas instalações de luz que alteram a percepção do espaço e da luz em ambientes fechados a ao ar livre, criando um ambiente totalmente imersivo. A obra de Turrell utiliza a luz como uma forma de escultura, e muitas vezes incorpora tecnologia de ponta, além de técnicas para a manipulação da luz. A instalação que está no museu é simplesmente sensacional e te leva para uma oura dimensão. Fotos e vídeos são proibidos. Mas afirmo que a experiência foi fora da curva!


Uma das obras mais conhecidas de Turell é o “Skyspace”, uma instalação que consiste em uma sala com tetos abertos, permitindo que o céu seja visto como uma parte da obra. A ideia principal é a criação de um ambiente onde o espectador tenha a sensação de estar dentro e fora do espaço ao mesmo tempo.
Turrell já recebeu muitos prêmios e honrarias ao longo de sua carreira, incluindo a medalha de ouro da Academia das Artes de Berlim em 2017. Sua obra continua a inspirar e desafiar a percepção de luz na arte, deixando um legado duradouro na história da arte contemporânea.
A vinícola também abriga um hotel pequeno, de apenas 9 quartos. Estava fechado para manutenção (tradição na região de Salta, é fechar os hotéis no mês de junho, antes da alta temporada). Achei o hotel um pouco inferior, comparado com toda a beleza da propriedade. Me pareceu um pouco “cansado”e merecendo uma reforma, pois o lugar é um deslumbramento, com seus belíssimos jardins, campos de lavanda emoldurados por belíssimas montanhas.




Fomos em direção à Cachi, uma cidadezinha que faz parte da rota turística conhecida como “Circuito dos Vales Calchaquíes”, que se estende por várias cidades e vilarejos da região. A cidade é bem conhecida por sua arquitetura colonial, com casas em estilo adobe e ruas de paralelepípedos. Ela está situada no sopé dos Andes e é cercada por paisagens naturais lindas, vales e rios.

Entre as atrações turísticas de Cachi está a igreja de San José, que foi construída no século 18 e uma das construções mais antigas da cidadezinha. Além disso, Cachi é conhecida por produzir alguns dos melhores vinhos da Argentina, principalmente os vinhos produzidos a partir da uva Torrontés, que é cultivada na proximidade da cidade.

Para aqueles que curtem atividades ao ar livre, a região de Cachi oferece muitas opções, incluindo caminhadas, trilhas de Mountain Bike, passeios a cavalo e pesca esportiva em rios da região.
O centrinho é pequeno e pitoresco, cheio de lojinhas e restaurantes gostosos. Nós jantamos no Viracocha e nos surpreendemos com a qualidade da comida e tomamos o vinho local.

Para se hospedar, o bonito La Merced del Alto ou o El Cortijo, ambos bem bacanas.
TERCEIRO DIA: Mais um dia de estrada rumo à Jujuy, famosa por sua rica cultura andina e belas paisagens naturais!
No começo do caminho, ainda em Salta, passamos pelo lindo Parque Nacional Los Cardones, uma área de preservação natural que se estende por mais de 60.000 hectares. O parque é conhecido por sua paisagem única, que é constituído por uma grande quantidade de cactos gigantes chamados Cardones, que chegam até 8 metros de altura.


Além dos cardones, o parque possui uma grande variedade de fauna e flora típicas da região andina. Entre as espécies animais que podem ser vistas na área estão vicunhas, pumas, raposas, aves de rapina e diversas espécies de pássaros.


O parque também conta com diversas trilhas para caminhadas e áreas de piquenique para quem quer desfrutar da natureza em um ambiente tranquilo e relaxante. Algumas das trilhas mais populares são a Trilha Los Cardones, que leva a um mirante com vista panorâmica da região e a Trilha Cuesta Del Obispo, que oferece uma experiência única de condução por uma estrada sinuosa que corta as montanhas da região.
Apreciamos também a linda paisagem do Vale Encantado, com suas montanhas pitorescas.


Chagamos em Jujuy, mais precisamente à Purmamarca, uma pequena cidade nas encostas da Cordilheira dos Andes. A cidade é conhecida por sua localização privilegiada, rodeada por paisagens de tirar o fôlego, incluindo suas belas montanhas coloridas que emolduram a cidadezinha.
Como chegamos no fim do dia, fomos diretamente para o hotel Manantial Del Silencio, uma graça de hotel super bem localizado, a poucos passos do centro do vilarejo.



QUARTO DIA: Purmamarca é famosa pelo seu mercado de artesanato, que oferece uma grande variedade de produtos locais como tecidos, cerâmicas e artigos de lã de llhamas O cerro de Los Siete Colores é a atração principal. Imaginem uma montanha onde as encostas apresentam uma grande gama de cores, que mais parecem uma pintura!


A rua principal é lotada de lojinhas e bancas de artesanato, dá pra passar horas ali garimpando peças andinas.



Dá pra aproveitar também para fazer uma trilhas ao redor da montanha de Los Siete Colores e do Cerro Morado, que oferecem lindas vistas das paisagens circundantes.
Ali pertinho fica outra cidade, Tilcara. A principal atração é a Pucará de Tilcara, uma fortaleza pré-colombiana construída pelos povos indígenas há mais de 900 anos. O local é um importante sítio arqueológico e oferece uma visão fascinante da vida e da cultura dos povos que habitavam a região antes da conquista espanhola. Outra atração é o Museu Arqueológico Dr Eduardo casanova, que abriga uma coleção de artefatos e exposições que contam a história da região e dos povos que habitaram a área. Tilcara também é destino popular para os amantes de caminhadas e trekking, com muitas trilhas que serpenteiam pela montanhas circundantes e pelos desfiladeiros, oferecendo vistas espetaculares da paisagem.
A cidade em si é bem charmosinha, com ruas de paralelepípedos e casinhas da época colonial. Muitas lojas de artesanatos, uma feirinha na praça principal completam a experiência.




Almoçamos em um hotel bem bonitinho ali na região, o La Comarca Hotel.

As duas cidades são paradas obrigatórias para quem visita a região de Jujuy!
Seguimos viagem rumo à Salinas Grandes, o Salar Argentino! Bem menor que o boliviano, com apenas 252 km, mas igualmente lindo!
Nos hospedamos no autêntico Pristine Camps, encravado no meio do Salar e super exclusivo, com apenas 6 suítes em formato de domos. Uma experiência pra lá de especial, nos sentimos pisando literalmente na lua!



QUINTO DIA: Ficamos bem impressionados com a estrutura dos domos e o conforto que eles oferecem. Dois sistemas de aquecimento nas suítes, um a diesel e outro à lenha, garantem noites de sono bem quentinhas. Banheiro excelente com ótima ducha e todas as amenities disponíveis. Internet funciona super bem e a gastronomia nos surpreendeu positivamente, são quatro refeições incluídas no cardápio: café da manhã servidos em buffet variado e pratos quentes à la carte. Almoço oferecido em formato picnic nos arredores do Salar, jantar à la carte com entrada, prato principal, sobremesas, bebidas alcoólicas incluídas e um chá da tarde delicioso servido às 17 horas.



Em breve terão bicicletas disponíveis aos hóspedes! Foi uma experiência super bacana e única dormir em pleno Salar!
Nós ficamos duas noites, mas uma já seria suficiente!
Passeamos por um vilarejo ali próximo, chamado San Francisco de Alfarcito, onde vivem apenas 80 pessoas. O pueblo vive de artesanato e de criação de trutas em pequenos tanques, onde fornecem o peixe para a região.

As noites estreladas são contempladas lindamente ao lado de fora dos domos. A temperatura é bem baixa à noite ( -13 graus em junho), portanto, roupas de inverno são imprescindíveis.


SEXTO DIA: Hora de partir rumo à Salta e no caminho paramos para almoçar em um lindo restaurante, que fica em Lozano: Flor del Pago, culinária ítalo-colonial, sob o comando do renomado chef argentino Daniel Hansen. Nos deliciamos com empanadas Jujeñas e pratos italianos divinos. O ambiente é super agradável com um belo jardim.

Chegamos à Salta e nos hospedamos no charmoso KKala Hotel Boutique em uma zona bem residencial, mas bem próxima ao centro de Salta. O jantar foi no autêntico La Vieja Estación, com direito à muitas empanadas salteñas e um show típico argentino! Foi super divertido.


SÉTIMO DIA: Assim encerramos nossa viagem, com gostinho de “quero mais”, pois a região é belíssima e muito receptiva! Voamos Salta- Mendoza- São Paulo-Rio. Uma opção melhor seria o voo direto São Paulo-Salta, mas só acontece aos sábados e com retornos no domingo seguinte.
O QUE LEVAR NA MALA:
Roupas confortáveis e se for no inverno capriche nas camadas e leve roupa térmica (calça, camiseta, meias de lã, gorro e luvas). Se for fazer treking, leve roupas apropriadas. Chapéu e protetor solar sempre, mesmo no inverno, o sol é forte e no Salar, o reflexo queima bastante.
QUEM LEVA: A Venturas Viagens foi quem planejou cada detalhe do nosso roteiro. Eles trabalham com grupos ou preparam um roteiro privativo sob medida pra você!






