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Roteiro detalhado ao Campo Base do Everest

Flavia Pires
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Há três anos quando conheci o escalador e fera das montanhas, Manoel Morgado e uma semente foi plantada: fazer o trekking ao Campo Base do Everest. Até então, minha intimidade com montanhas era nula.

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Mas essa ideia foi sendo amadurecida a partir da primeira vez em que estive no Peru ano retrasado e ao Atacama no começo do ano passado. Gostei tanto da experiência e aquele mundo foi tomando conta de mim e acabou se tornando uma realidade.

Fim do ano passado, a decisão estava tomada. Me inscrevi na viagem de outubro. A Morgado Expedições tem duas saídas para esta viagem: abril e outubro. O mês de abril é quando os escaladores chegam para fazer o cume. O mês de outubro é mais tranquilo e era quando eu poderia ir.

PREPARO FÍSICO:

Você precisa se organizar e ter tempo hábil para o preparo físico. Foram seis meses de treinamento intensivo e diário, apesar do Manoel falar que três são suficientes. Amigos que foram me recomendaram o máximo possível. Quanto mais preparado você estiver fisicamente, menos sofrido será. Fiz muito aparelho de escada e musculação. Corridas na praia na areia fofa. Subi a Pedra da Gávea e o Pão de Açucar no Rio de Janeiro. E não me arrependo da dedicação que tive estes meses que antecederam a expedição. Fui muito bem preparada e realmente não sofri com dores no corpo e aguentei firme o peso da mochila em torno de 8kg o dia inteiro. Tenho cirurgia de ligamento no joelho esquerdo e protusão de hérnia na coluna, nada disso me atrapalhou todo o trajeto.

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ALTITUDE:

O que realmente foi terrível pra mim, foi a altitude acima dos 4.500 metros. Tive três dias de fortes dores de cabeça, que beiravam o insuportável. O dia de subir ao Campo Base eu mal conseguia abrir os olhos. O risco de edema cerebral me apavorava. Decisão tomada em não subir ao Campo Base. Estávamos a 300 metros verticais dele e eu não podia. Outras cinco pessoas do grupo também não foram. Engraçado que eu estive o ano passado no Tibet a 5.100 metros de altitude e passei bem. As outras experiências no Peru e Atacama foram super positivas. Mas altitude é como enjôo em barcos. Você só descobre quando está lá. Foi bem frustrante não chegar ao Campo Base, mas tudo o que vivemos ali foi tão intenso, forte e gratificante que a sensação de frustração foi passando ao longo dos dias. Me senti vitoriosa de verdade em ter conseguido passar os 16 dias do trekking com força e coragem. É duro, é duríssimo.

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COMIDA:

A comida é boa nos Lodges em geral. Todos os cardápios são iguais: Pizza, Dal Baht, o prato típico deles (arroz, lentilha e legumes), Arroz frito com ovo e vegetais e massa, muita massa. Proteína somente ovo, as carnes estão terminantemente proibidas na alta montanha por estarem mal acondicionadas. As refeições estão incluídas no pacote. O Manoel recomenda levar cerca de 3 snacks calculados por dia dentro da mochila para os lanchinhos nos intervalos. Eu levei assim e foi suficiente. Outra dica que uma amiga me deu e acabei me arrependendo de não ter levado foi o shake de proteína em saches e senti a maior falta! Comemos nada de proteína e no café da manhã teria sido ótimo tomar esse shake, ou mesmo para substituir o jantar que após o décimo dia, não podia sentir mais o cheiro daquela comida que é bastante gordurosa.

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LODGES:

Pouco conforto é a marca registrada dos lodges em todo o trajeto ao Campo Base do Everest. Sacos de dormir são colocados em cima das camas e os banheiros são geralmente fora dos lodges e bem precários. Alguns dias foram sem banho, mas sabe que sobrevivi bem! Confesso que tinha medo dessa parte! As noites são longas, pois vamos deitar por volta das 21 hrs e acordamos às 6 da manhã com algumas acordadas e idas ao banheiro que pelo frio à noite ( não há calefação nos quartos ), tornam-se imprescindíveis o uso de Pee Bottles (garrafas para urinar) durante à noite. Nada fácil esse procedimento para as mulheres, diga-se de passagem! Tomadas são inexistentes nos quartos, todos os lodges funcionam com tomadas na recepção e carregamento cobrado por aparelho e por hora, cerca de U$5 por aparelho. Internet também é cobrada através de cartões e eu gastava cerca de U$30 por dia com internet. Confesso que fiquei muito online para fazer as postagens e publicar os vídeos no snapchat. Mas com U$10 por dia acredito ser suficiente se você não for blogueiro!

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Roteiro detalhado dia-a-dia:

1° Dia – Chegada a Katmandu e traslado ao Hotel Radisson (5*). Conforme as pessoas forem chegando revisaremos o equipamento de trekking.

2° Dia – De manhã, passeio a pé pela Durbar Square, a praça do antigo palácio real, lindo conjunto arquitetônico com o palácio e inúmeros templos. A caminho da Durbar Square conversaremos sobre hinduísmo, budismo, arquitetura, usando pequenos templos para ilustrar o que ensinaremos. À tarde compraremos ou alugaremos o equipamento de montanha que for necessário.

3° Dia – Pela manhã, visita a dois importantes templos na periferia de Katmandu, Pashupatinath, templo dedicado ao Lord Shiva, aqui em sua manifestação como Pashupati, é o mais importante templo hindu do Nepal. Situado às margens do sagrado rio Bagmati, é o principal local de cremações no Nepal. O segundo templo que visitaremos, Boudnath, é o maior e mais ativo templo budista do Nepal e se situa no coração do bairro budista.

4° Dia – Primeiro dia de trekking – Distância caminhada – 13 km, subida acumulada – 560 m, descida acumulada – 560 m

Voo de Katmandu a Lukla (2800 metros) na região do Khumbu, de onde iniciaremos nosso trekking. O voo, com certeza, será uma das lembranças marcantes da viagem devido à linda vista que teremos do Himalaia. As tão sonhadas montanhas estão lá, erguendo-se a alturas que não supúnhamos que fossem possíveis. Caminhada de 6 horas de duração até Monjo (2800 metros), onde dormiremos à beira do Dudh Kosi, o Rio do Leite. Esse é um dia fácil para começarmos a nos adaptar ao o ritmo da caminhada.

5° Dia – Segundo dia de trekking – Distância caminhada – 6 km, subida acumulada – 700 m, descida acumulada – 120 m

Caminhada com 5 horas de duração até Namche Bazaar (3400 metros), maior vilarejo do Khumbu. Esse é um dia razoavelmente difícil, pois é apenas o nosso segundo dia e a diferença de altitude é grande, mas as vistas do vale do Dudh Kosi e a primeira vista do nosso objetivo, o Everest, fazem o esforço valer a pena.

6° Dia – Terceiro dia de trekking – Distância caminhada – 8 km, subida acumulada – 600 m, descida acumulada – 600 m

Caminhada de aproximadamente 4 horas ao vilarejo de Thamo (3400 metros), fora da rota de trekking e, portanto, mantendo seu modo de vida tradicional. Antes de chegarmos a Thamo, como parte de nosso programa de aclimatação, visitaremos o pequeno e raramente visitado monastério de Laudo acima de Thamo a 3800 metros, onde seremos recebidos carinhosamente por Ani e Lama, os únicos monges que habitam este monastério há mais de 20 anos. Passar algumas horas neste refúgio de paz, contemplando as montanhas nevadas ao nosso redor e embalados pelo suave som do sino será uma das mais doces lembranças de nosso trekking.

7° Dia – Quarto dia de trekking – Distância caminhada – 8 km, subida acumulada – 900 m, descida acumulada – 450 m

Caminhada de 3 horas de duração a Kunde (3800 metros), outro vilarejo fora da rota de trekking tradicional. Ali se encontra um dos hospitais mantidos pela Hillary Foundation. À tarde, caminhada até uma crista a 4200 metros para aclimatação. Kunde está situada em um lindo vale em forma de ferradura e tem a sua frente uma das mais lindas montanhas do planeta, o Ama Dablam.

8° Dia – Quinto dia de trekking. Distância caminhada 9 km, subida acumulada 650 m, descida acumulada 750 m

Caminhada de 5 horas a Deboche (3700 metros). Iniciaremos nossa caminhada com uma longa descida de 600 metros até cruzar o Rio Dudh Kosi e em seguida ganharemos novamente esta altitude chegando ao maior monastério do Khumbu e sede de importantes festivais, o monastério de Temboche. Destruído em um incêndio em 1989, agora está totalmente reconstruído em seu antigo esplendor. Após visitarmos o monastério seguiremos por mais vinte minutos até Deboche onde nos hospedaremos em um dos mais novos lodges do Khumbu com todos os quartos de frente ao Everest. As vistas pela manhã, ao nascer do sol, são simplesmente deslumbrantes. Ao nosso redor os grandes gigantes do Himalaia como o Tramserku, Kantega, Ama Dablam, Lhotse, Nuptse, e, é claro, o Everest, iluminados pela suave luz no amanhecer. E para isso se necessita apenas abrir a cortina da janela de nosso quarto…

9° Dia – Sexto dia de trekking. Distância caminhada 12 km, subida acumulada 1000 m, descida acumulada 770 m

Caminhada de 2 horas de duração a Pamboche (4000 metros). Pamboche é um dos vilarejos mais simpáticos do Khumbu, ficando extamente à frente do Ama Dablan. Chegando no lodge, seguiremos para uma caminhada de aclimatação rumo ao campo base do Ama Dablan, a 4600 metros. Para aqueles que quiserem fazer um dia um pouco mais leve, sugerimos subir até 4300 metros, que é a altitude em que dormiremos a noite seguinte. Tanto para quem chegar ao campo base, quanto para aqueles que atingirem os 4300, as vistas da caminhada são espetaculares.

10° Dia – Sétimo dia de trekking. Distância caminhada 8 km, subida acumulada 730 m, descida acumulada 380 m

Caminhada de 3 horas de duração até Dimboche (4300 metros). Esse é o vilarejo mais alto do Khumbu com habitação permanente. Como parte de nosso processo de aclimatação subiremos uma crista atrás do vilarejo até 4600 metros de onde poderemos avistar o Makalu, a quinta mais alta montanha do planeta. para aqueles que ainda tiverem energia podem seguir ate o cume do Nangazan Ri a 5080 metros!

11° Dia – Oitavo dia de trekking – Distância caminhada – 8,5 km, subida acumulada – 700 m, descida acumulada – 420 m

Caminhada de 3 horas até Dugla (4600 metros). Apesar de pequena em termos de distância e tempo, esta caminhada de hoje é importantíssima em termos de aclimatação. Dormindo aqui quebramos a grande subida entre Dimboche a Loboche. Após um pequeno descanso no lodge seguiremos para nossa caminhada de aclimatação a uma colina onde chegaremos a 4900 metros, a mesma altitude que dormiremos no dia seguinte.

12° Dia – Nono dia de trekking – Distância caminhada – 4,5 km, subida acumulada – 385 m, descida acumulada – 65 m

Caminhada de 3 horas de duração a Lobuche (4950 metros). Aqui, a paisagem muda completamente para vegetação alpina e estaremos caminhando cercados de alguns dos maiores picos deste planeta. Entramos no coração do Himalaia. Embora essa caminhada, em termos de distância, seja bastante curta, poucos quilômetros, ela é um pouco cansativa devido à altitude e a uma subida íngreme logo no início do dia. Ao final desta subida se encontra o Memorial aos Sherpas, lembrando todos os sherpas que morreram escalando o Everest. Almoçaremos no lodge onde iremos dormir, um dos mais confortáveis de toda trilha. Tarde livre para descansar para o duro dia que se seguirá.

13° Dia – Décimo dia de trekking – Distância caminhada – 10 km, subida acumulada – 800 m, descida acumulada – 550 m

Pela manhã, caminhada de 4 horas de duração até Gorak Shep (5190 metros). Após almoçarmos e descansarmos, subiremos o Kala Patar para ver o pôr-do-sol, com o Everest a apenas oito quilômetros de distância, refletindo a luz avermelhada do sol contra um céu azul escuro. A sensação de, após dez dias de caminhada, atingir nosso objetivo e sermos recompensados por essa indescritível vista é emocionante. Apesar de a subida ser bastante gradual, ela é cansativa devido à altitude.

14° Dia – Décimo primeiro dia de trekking – Distância caminhada – 7 km, subida acumulada – 340 m, descida acumulada – 340 m

Hoje faremos a árdua, porém recompensadora, caminhada até o Campo Base do Everest (5264 metros). De Gorak Shep seguiremos pela morena lateral do glaciar do Khumbu até descermos para o gelo do glaciar propriamente dito e, entre subidas e descidas, contemplaremos as incríveis formações de gelo enquanto nos aproximamos do campo base. Ali, nos meses de abril e maio, centenas de escaladores, estrangeiros e sherpas, se preparam para o grande desafio: estar por alguns minutos no topo do mundo. Retornaremos a Gorak Shep para dormir.

15° Dia – Décimo segundo dia de trekking – Distância caminhada – 13 km, subida acumulada – 190 m, descida acumulada – 1040 m

Hoje, concluídos com sucesso nossos objetivos, iniciaremos nossa caminhada de volta a Lukla. Saindo de Gorak Shep rapidamente perderemos altitude passando por Lobuche, por Dugla e pernoitaremos no vilarejo de Dimboche (4300 metros). Apesar de ser basicamente descida, este é um dia longo devido a grande distância que percorreremos.

16° Dia – Décimo terceiro dia de trekking – Distância caminhada – 9,5 km, subida acumulada – 200 m, descida acumulada – 770 m

Caminhada de 5 horas de duração de Dimboche a Deboche. Agora, missão cumprida e mais de 1.500 metros abaixo do Kala Patar, podemos comemorar nossos feitos com uma cerveja (naturalmente gelada) enquanto o sol se põe tingindo os picos de dourado. A caminho de Deboche pararemos em Pamboche para receber as bênçãos do Lama Geshe Rimpoche, um dos mais respeitados lamas da região.

17° Dia – Décimo quarto dia de trekking – Distância caminhada – 15 km, subida acumulada – 300 m, descida acumulada – 1200 m

De Deboche seguiremos por um caminho serpenteante até chegarmos em Namche Bazaar onde almoçaremos. Seguiremos, então, para o vilarejo de Monjo onde dormiremos. Apesar de ser um longo dia, com ao redor de oito horas de caminhada, seremos recompensados com a gradual perda de altitude.

18° Dia – Décimo quinto dia de trekking – Distância caminhada – 13 km, subida acumulada – 560 m, descida acumulada – 560 m

Hoje, nosso último dia de trek, caminharemos de volta a Lukla em aproximadamente 5 horas, com nosso coração dividido entre a vontade de voltar aos confortos de Katmandu e o desejo de não abandonar esta região mágica que tantas memórias nos deixará. Como opcional poderemos fretar um helicóptero desde Monjo e fazer um inesquecível voo panorâmico sobrevoando todo nosso trajeto de trekking e também o vale do Gokyo terminando em Lukla. O custo deste voo é de aproximadamente US$ 400,00 por pessoa. Para que o voo possa acontecer é necessário que o tempo esteja limpo e que exista um helicóptero disponível em Lukla. Por estas razões não incluímos este voo no programa.

19° Dia – Pela manhã cedo voaremos de volta a Katmandu. Traslado ao hotel Radisson e restante do dia livre.

20° Dia – Traslado ao aeroporto para vôo internacional.

 

SAÍDAS PARA 2017:

20 de abril a 9 de maio 2017

01 a 20 de outubro 2017

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Fotos Flavia Pires, todos os direitos reservados.

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