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O Palácio de Verão de Catarina

Flavia Pires
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Conhecer a Russia no inverno foi uma opção. Carnaval de 2012. Enquanto o país sambava, eu estava do outro lado do mundo, temperatura glacial e curtindo todos os programas ao ar livre. Perdi os jardins floridos e fontes exuberantes, mas ganhei esta paisagem única, que combina com a Russia. Mais um motivo para voltar no verão, não é mesmo? O Palácio está a  mais ou menos uma hora de carro de São Petersburgo.

A residência teve origem em 1717, quando Catarina I encarregou ao arquiteto Johann-Friedrich Braunstein construir um Palácio de Verão para seu prazer. Em 1743, a Imperatriz Ana contratou Mikhail Zemtsov e Andrei Kvasov para expandir o Palácio de Catarina. A Imperatriz Isabel, no entanto, achou a residência da sua mãe fora de moda e incômoda,e em maio de 1756, pediu ao seu arquiteto da Corte, Bartolomeo Rastrelli que demolisse a velha estrutura e a substituisse por um edifíco muito maior no estilo Rococó flamejante. A construção estendeu-se por quatro anos e no dia 30 de julho de 1756, o arquiteto apresentou o novo palácio de 325 metros de comprimento à Imperatriz, aos seus deslumbrados cortesãos e aos estupefatos embaixadores estrangeiros.

Durante a vida de Isabel, o palácio teve fama pelo seu opulento exterior. Foram usados mais de 100 quilos de ouro para dourar a sofisticada fachada de estuque e numerosas estátuas erguidas no telhado. Existiram mesmo rumores de o telhado do palácio era inteiramente construído em ouro. Em frente do palácio foi realizado um grande jardim formal. Este era centrado no Pavilhão do Eremitério próximo do lago, desenhado por Zemtsov em 1744, revisto por Rastrelli em 1749 e antigamente coroado por uma escultura dourada representando A Violação de Perséfone. O interior do pavilhão apresenta mesas de jantar com mecanismos giratórios. A grande entrada do palácio é flanqueada por duas circunferências massivas, igualmente em estilo Rococó. Uma delicada grade em ferro fundido separa o complexo, da cidade de  Tsarkoye Selo.

Apesar de o palácio estar popularmente associado a Catarina a Grande, na verdade, ela olhava a sua arquitetura como fora de moda. Quando subiu ao trono, um grande número de estátuas no parque estavam cobertas de ouro, de acordo com as últimas vontades da Imperatriz Isabel. Contudo, a nova monarca mandou suspender todos os trabalhos depois de ser informada dos custos. Nas suas memórias, Catarina censura a extravagância da sua predecessor.

Em ordem a satisfazer a sua paixão pela arte antiga e Neoclássica, Catarina empregou o arquiteto escocês Charles Cameron que, além de redecorar o interior de uma ala ao estilo Neopaladiano, então em voga ,também construiu os aposentos pessoais de Imperatriz, uma estrutura nada modesta em estilo Grego-Revivalista, conhecida como Sala Âmbar, situada à esquerda do grande palácio. Notável pela sua eleborada decoração em âmbar , as salas foram desenhadas para se ligarem com os Jardins Suspensos, os Banhos Quentes e a Galeria Cameron (a qual ainda acolhe uma colecção de estatuária em bronze) – três edifícios neoclássicos construídos de segundo os desenhos de Cameron. De acordo com os desejos de Catarina, foram erguidas muitas estruturas notáveis, para seu divertimento, no Parque de Catarina. Entre estas incluém-se o Almirantado Holandês, o Pagode Ranjente, a Coluna Chesme, o Obelisco Rumyantsev e a Ponte de Mármore.

Depois da morte de Catarina, em 1796, o palácio foi abandonado a favor do Palácio de Pavlovsk. Monarcas subsequentes preferiram residir no vizinho Palácio de Alexandre e, com apenas duas exceções, privaram-se de fazer novas adições ao Palácio de Catarina, olhando-o como um explêndido monumento à abundância de Isabel e à glória de Catarina. Em 1817, Alexandre I contratou Vasily Stasov para redecorar alguns interiores da residência da sua avó, em Estilo Império. Vinte anos mais tarde, foi construída a magnífica Escadaria Stasov para substituir a velha escadaria circular que conduzia à Capela Palatina. Infelizmente, a maior parte dos interiores de Stasov – especificamente os datados do reinado de Nicolau I – não foram restaurados depois das destruições da Segunda Guerra Mundial.

Quando as forças militares germânicas recuaram depois do Cerco a Leningrado, destruíram intencionalmente a residência , deixando, apenas, a carcaça do palácio.  Antes da Segunda Guerra Mundial, os arquivistas russos decidiram remover uma fração dos seus conteúdos, o que se mostrou de grande importância na reconstrução do palácio. Apesar de a maior parte da reconstrução ter ficado pronta a tempo das comemorações do Tricentenário de São Petersburgo, em 2003, ainda se requer muito trabalho para devolver o palácio à sua antiga glória.

Atualmente, 29 das 52 salas do palácio foram restauradas.

Horário de funcionamento: 10:00 às 17:00 (no verão é necessário fazer reserva antecipada)

Fechado: Terças-feiras e na última segunda-feira de cada mês.

Fotos Flavia Pires, todos os direitos reservados.

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