Nova Zelândia

Por: Flávia Pires 25 outubro, 2018

 

 

 

 

AUCKLAND é a porta de entrada e a maior cidade da Nova Zelândia, com 1,5 milhão e meio de habitantes em um país com apenas 5 milhões. A capital é Wellington, pouco mencionada e conhecida mundo afora.Voei Rio-Santiago( 3 horas) e Santiago-Auckland (14 horas) pela Latam. Achei bem tranquilo, os aviões são novos, tripulação mega atenciosa, foi um voo perfeito. Agosto é pleno inverno na Nova Zelândia, tarifas mais em conta do que o verão. Achei o país beeeem caro!

Passei três dias na cidade, mas poderia ter ficado apenas dois inteiros, já que este voo chega em Auckland 4:30 da manhã e você tem o dia inteiro livre. A cidade é pequena e sem grandes atrativos, mas que eu queria muito conhecer. Me hospedei no SKY CITY GRAND, um hotel grande, super bem localizado ( pedi um quarto alto com vista), com ótimos restaurantes ao redor e colado à Sky Tower, cartão posta de Auckland. Fiz um roteirinho básico dos highlights na cidade:

DIA 1: Caminhar pela QUEEN STREET, a mais famosa daqui, onde está o comércio bacana, e aproveite também para perambular pelas ruazinhas transversais. Fui conhecer o  ALBERT PARK e me senti em Londres por alguns instantes.

Almocei em um Pub no melhor estilo londrino, aqui tem vários legais, herança da colonização britânica, que foi de 1841 a 1907. Fim de tarde atravessei de ferry até DENVONPORT (cerca de 10 minutos) e pude apreciar o lindo skyline da cidade no fim do dia.

DIA 2: Peguei um ferry até WAIHEKE Island, que fica a apenas 40 minutos de Auckland. Comprei o tour guiado TASTE OF WAIHEKE no dia anterior, na bilheteria do ferry, que sai às 11 horas da manhã e custa $150 por pessoa. Um ônibus com guia te espera ao desembarcar na ilha e de lá partimos para três degustações em distintas vinícolas, com almoço incluído. A ilha é conhecida por suas vinícolas produtoras de excelentes vinhos nacionais famosos mundo afora, são mais de 30. Até os anos 60, a Nova Zelândia era uma nação de bebedores de cerveja, certamente por influência britânica. O consumo de vinho não era comum por estas bandas. O clima marítimo temperado é ideal para maximizar o amadurecimento da uva e tornar a produção de vinho intensamente saborosos. Hoje são aproximadamente 700 vinícolas pelo país e 85 delas estão na ilha de Waiheke. Visitamos três vinícolas: Stonyridge (melhor vinho), Casita Miro (mais divertida) e Mudbrick (a mais bonita), além de conhecer também todo o processo de produção de azeites na Rangihoua State.

 

Casita Miro

Casita Miro

Stonyridge

Mudbrick

Mudbrick

O programa dura o dia todo é achei que valeu super a pena. Você pode também fazer por conta própria indo de ferry e alugando um carro ( www.waihekerentalcars.co.nz )ou usando serviço de táxi na ilha (Wai Cabs/ Tel:0800924222 e Island Taxis 372-4111) e até dormir em hotéis da ilha ( Te Whau Lodge é uma boa opção de hospedagem). As praias me parecerem bem legais também pra curtir no verão.

DIA 3: Depois de passar dois dias olhando a SKY TOWER, a maior torre do Hemisfério Sul com 328 metros, da janela do meu quarto e de todos os ângulos da cidade, decidi fazer o SKY JUMP, salto a 192 metros de altura e a 85 km por hora em 11 segundos, em plena cidade. Meu batismo na terra dos bunggie jumps não podia ter sido melhor, até porque, a queda aqui não é livre como no restante do país, tem um certo controle na queda. Mas meu coração disparou quando subi e olhei pra baixo e vi a altura que eu estava. Os carros passando feito pulgas, nem enxergava as pessoas a olho nu. Lá fui eu…afinal, precisava me preparar para a Ilha Sul, terra dos saltos. Lá você também pode fazer o SKY WALK, onde você dá a volta na torre em uma plataforma pendurado por cabos.

 

Almoçamos no VIADUCT HARBOUR, uma marina linda, bem ao lado do ferry. Em um dos muitos restaurantes legais ao redor (Soul e o Oyster & Shop são excelentes opções). Vale um passeio depois no Museu Marítimo pra quem gosta de barcos e de lá seguimos para tomar o sorvete mais famoso de lá na GIAPO (12 Gore Street) no bairro bem pertinho BRITOMART, com diversas lojas (destaque para as marcas locais (Karen Walker e Kathryn Wilson), pubs e restaurantes ( destaque para o ORTOLANA, para almoçar ou jantar, é uma graça e comida boa).

Viaduct Harbour

Giappo

Britomart

Um passeio que deve ser muito legal no verão pra quem gosta de barcos, é velejar nos barcos EXPLORE, que ficam ancorados no Viaduct Harbour e oferecem diferentes programas. www.exploregroup.co.nz

Restaurantes legais na FEDERAL STREET, ruazinha bem simpática que dá acesso à SKY TOWER e ao meu Hotel, o SKY CITY GRAND: The Grill (carnes incríveis), Masu (japonês),Huami (asiático),Andy’s (hambúrgueres),The Sugar Club (bar no alto da torre com ótimos drinks e comida fusion), Gusto (italianinho descontraído), Depot (ostras deliciosas), Bellota (tapas bem servidas e ambiente espanhol) e Federal Delicatessen ( do café da manhã ao jantar, serve comidinhas bem gostosas).

DIA 4: Na ilha norte da Nova Zelândia eu fiz apenas Auckland, achei que como era inverno, a ilha sul seria mais atraente de programação, conhecida pelos esportes de aventura. Hoje pegamos um voo ( voando a excelente Air New Zealand) para a ilha sul, para a cidade de CHRISTCHURCH. Alugamos um carro 4×4 ao chegar ao aeroporto (lembrando que é mão-inglesa), para o restante da viagem, ainda tínhamos 09 dias pela frente. Christchurch é a maior cidade da ilha sul, capital da província de Cantebury, cheia de passado, com muitos prédios neolíticos e eduardianos, monumentos coloniais e muitos parques (destaque para o belíssimo Botanic Garden), e que outra vez me fez sentir que estava em Londres. Não é a toa que Christchurch é a mais inglesa das cidades fora da Inglaterra. Hoje é um grande centro tecnológico, com muitos jovens e a cidade ainda se recupera lentamente de dois grandes terremotos devastadores em 2010 e 2011 e sua reconstrução está em pleno andamento. Passei apenas uma noite no quatro estrelas Rendevouz Hotel bem no centrinho, pertinho da New Regent Street, onde tem vários restaurantezinhos. Ali perto está o City Mall, região de pedestres com um comércio bem variado. Vale conhecer também o ReSTART Mall que fica no terreno do antigo Oxford Terrace, que foi devastado pelos terremotos e as lojas estão em containers. Eu tinha me programado para passar duas noites em Christchurch, mas uma tarde inteira e uma noite, achei mais do que suficiente e mudei meus planos para o dia seguinte.

Centrinho de Christchurch

DIA 5: Começou pra valer a nossa road trip pela Nova Zelândia! Dirigimos três horas até o famoso LAKE TEKAPO. O turquesa das águas doem os olhos de tão azuis. Partículas finíssimas de pedra que descem dos glaciares na cabeceira do lago e ficam em suspensão na água, fazem esse tom ficar tão perfeito.

Dali seguimos viagem até o AORAKI/ MOUNT COOK, uma montanha sagrada da tribo Ngai Tnahu e é o pico mais alto da Nova Zelândia com 3.754m. Segundo a lenda maori, essa e quatro montanhas vizinhas se formaram quando um menino chamado Aoraki e seus três irmãos, descerem do céu em uma canoa para visitar Papatuanuku ( a Mãe Terra). A canoa virou e os irmãos ao subirem de volta no barco de cabeça pra baixo e se transformaram em pedra. Desde 1953 a área de 7.000km quadrados com 19 picos superiores a 3.000 metros e geleiras que ocupam 40% da área do parque, passou a ser um parque nacional maravilhoso. Passamos a noite ali em um hotelzinho bem simples, o Aoraki Mount Cook Alpine Lodge. Achei que não valeu a pena fazer esta parada aqui, a não ser para passar duas noites e fazer no dia seguinte algum hiking no gelo até o lindo Tasman Glacier ( me arrependi de não ter feito) ou até um passeio de helicóptero bem completo que incluiria o Mount Cook, Franz Joseph e Fox Glacier.

DIA 6: Fomos em direção a WANAKA, o chamado playground da ilha sul, onde reserva muitas atividades outdoor no inverno e no verão. Pescaria, mountain bike, jet-boat, hikings, passeios em quadriciclos motorizados, cavalos e ainda duas estações de esqui: Treble Cone e Cardrona ( você pode alugar equipamento no centrinho de Wanaka e passar o dia nas estações, que ficam a uma hora, mais ou menos) com direito a heli-esqui sobre as montanhas ao redor.

Isso sem falar nos voos acrobáticos em aviões TigerMoth ou Mustang da Segunda Guerra mundial. Meu marido que ama voar, testou um voo no TigerMoth e amou! www.classicflights.co.nz

Nos hospedamos no simpático Lake Hawea Hotel com um quarto grande e vista para o lago, ele fica a uns 10 minutos do centrinho de Wanaka.

O Wanaka Lake é lindo de doer. Tudo ali em volta é charmoso e dá pra se perder entre lojinhas, cafés e restaurantes.

DIA 7: Visitamos a famosa vinícola Rippon Vineyard em uma propriedade belíssima às margens do Wanaka Lake. Fizemos uma degustação de Sauvignon Blanc, Riesling, Cabernet e Pinot Noir. Mas a estrela na minha opinião foi o Gamay (mutação do Pinot Noir) e foi o mais incrível de todos. A degustação nesta vinícola é de graça e no final, você faz uma doação a seu critério, coisa de pais civilizado.

 

DIA 8: As estradas são excelentes, o que nos traz muito conforto e segurança. Acordamos tão animados que inventamos um passeio que não estava em nossos planos: ir conhecer os glaciares de FOX e FRANZ JOSEF (eram 450 km a mais) e decidimos passar diuas noites ali. No caminho, passamos por Bruce Bay, uma praia linda que deve ser incrível no verão e em dias de sol.

Chegamos tarde em Franz Josef e nos hospedamos no transadinho Scenic Hotel, com um restaurante delicioso, onde jantamos as duas noites da nossa estadia.

DIA 9: Na cultura Maori, o glaciar Franz Josef são as lágrimas de “Hinehukatere”. Está situado em meio a uma floresta temperada e é de uma beleza indescritível. Você chega até ele de helicóptero e faz um hiking molezinha, mas que valeu pelo visual inesquecível e pelo dia lindo de sol de pois de chuvas no dia anterior. Valeu super o desvio de 450 km  para chegar aqui.

Voo de helicóptero

Túneis de gelo

 

DIA 10: Paisagens estonteantes nos 400km que separam Franz Josef de QUEENSTOWN, cidade encantadora que surgiu por volta de 1860 na época da corrida do ouro, minha última parada na Nova Zelândia.

Queenstown foi a cidade mais linda de todas que passamos, paisagens lindas e uma das localizações mais privilegiadas do mundo, com a cordilheira Remarkables ao fundo e o Lake Wakatipu ao centro. Tem tanta coisa pra se fazer aqui, que três dias foi bem pouco, teria ficado 5 dias inteiros numa boa.

O centrinho é lindo, com a SKYLINE GONDOLA que sobe 450 metros em uma altura de 730 metros para o Bob’s Peak, onde se tem uma vista panorâmica das Remarkable, do lago Wakatipu e de toda a cidade.

CROMWELL é uma gracinha e sobreviveu à era do ouro e tornou-se uma cidade prestadora de serviços e uma das principais áreas produtoras de frutas no país. O centrinho antigo é uma graça e parece um cenário de filme.

Nos hospedamos no Hilton Queenstown, que me surpreendeu pela qualidade e serviço, um Hilton bem acima da média. Escolhi uma suíte de esquina, com vista para o lago, lareira no quarto envidraçado e muito confortável. O SPA do hotel é delicioso com diversos tratamentos e o restaurante maravilhoso.

Vista do meu quarto

DIA 11: Terra dos Bungee Jumps, Queenstown reúne os melhores e mais famosos do país. Meu marido saltou do mais alto deles, no NEVIS a 134 metros de altura em uma plataforma remota. Eu acabei não indo e me arrependi amargamente, ele amou a adrenalina! Pagando $50 você pode acompanhar a pessoa que vai saltar e ver tudo de pertinho na plataforma. Reservas aqui.

Acabei saltando da KAWARAU BRIDGE, um Bungee de 53 metros e com queda na água, onde você escolhe com ou sem touch na água. Escolhi sem por ser inverno e a água estava congelante, mas deve ser legal no verão! Reservas aqui

 

DIA 12:  Hoje fizemos o SHOTOVER JET, um barco que vai a 90 km/hora por entre um canyon com muita adrenalina. Confesso que tive mais medo disso do que de saltar de Bungge Jump. são dois tipos de passeios, um mais leve e outro mais pesado, escolhemos o pesado. Morri de medo, foi a pior meia hora da minha vida, achei super perigoso.

Depois de tantas aventuras, hora de brindar na famosa GIBBSTON VALLEY WINERY, uma das mais famosas da região. Almoçamos e fizemos uma degustação, que pra ser bem sincera, não achei nada demais. Comida bem mais ou menos. Os vinhos eram bons.

O que mais gostei foi a Gibbston Valley Cheesery com suas incríveis tábuas de queijos harmonizados, aí sim é um programa bem legal. O que aprendi nestes dias aqui na Nova Zelândia sobre os vinhos: Dos brancos, o Sauvignon Blanc é considerado o melhor vinho branco da NZ, mas o Pinot Gris (tomei ótimos, por sinal), vem ganhando terreno. O Riesling está ficando popular e anda sendo comparado ao leve e elegante estilo alemão. Já os tintos, estão ganhando importância à medida que os fabricantes encontraram lugares melhores para os vinhedos e aperfeiçoaram os métodos de viticultura e amadurecimento dos vinhos, tornando-os mais estáveis. O Pinot Noir é o mais plantado (foquei neles, meus preferidos, e tomeis uns rótulos excelentes), mas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc também se adaptaram ao clima e ao solo e estão crescendo bastante.

RESTAURANTES EM QUEENSTOWN: Happy Hour no The Lodge Bar, melhor hambúrguer: Fergerburguer, carnes do Flame Bar & Grill.

ARREPENDIMENTO: Não ter feito o MILFORD SOUND, o fiorde com 16 km de extensão que fica no Fiordland National Park e seu cartão postal é o Mitre Peak, a montanha piramidal que aparece no profundo fiorde. Cachoeiras e formações rochosas bem raras compõem a paisagem como a Lion Mountain, Elephant e Copper Point. Golfinhos, focas e pinguins são vistos pelo caminho. Você pode fazer de barco, inclusive alguns passeios co pernoite ou sobrevoar de avião e helicóptero. Mais um motivo pra voltar, né?

DIA 13: Fui embora rumo à Sydney, mas com vontade de ter ficado pelo menos mais dois ou três dias inteiros em Queenstown, foi a cidade mais legal de todas e com muita coisa pra fazer, principalmente os mais aventureiros!

Fotos Flavia Pires, todos os direitos reservados.