Há hotéis que são apenas pontos de parada — e há os que se tornam parte da própria viagem. O The Maybourne Beverly Hills pertence a essa segunda categoria. Ele não é apenas um endereço em Los Angeles: é um estado de espírito. Um abrigo de luz suave, luxo na medida certa e silêncio discreto no coração de uma das regiões mais vibrantes da Califórnia.
Cheguei ao hotel numa tarde dourada, quando o sol de Beverly Hills parece dissolver o concreto em tons de mel. O carro deslizou pela entrada recuada da Canon Drive, onde um porte-cochère impecável acolhe os hóspedes com uma naturalidade quase coreografada. Não há ostentação — há elegância. O tipo de sofisticação que não precisa se anunciar.

A localização impecável no chamado “Golden Triangle”de Beverly Hills, a poucos passos da icônica Rodeo Drive é simplesmente perfeita!
Um sussurro de luxo
O lobby é um convite à contemplação. Luz natural filtrada por janelas amplas, arranjos florais que parecem ter sido colhidos naquela manhã, e uma harmonia de cores que mistura cremes, dourados e tons de âmbar. Cada detalhe parece ter sido pensado para desacelerar o olhar — para permitir que você respire.

A recepção aconteceu com um sorriso e um “Welcome home” dito no tom certo — sem excesso, sem formalidade. Essa talvez seja a maior virtude do The Maybourne: a capacidade de fazer o luxo parecer íntimo.

O quarto, a famosa Library Suite, no andar alto, era um refúgio de serenidade. O mobiliário feito sob medida, cuidadosamente escolhido, fazendo uma composição quase cinematográfica. O design tem algo de europeu — não à toa, o Maybourne é o mesmo grupo do Claridge’s, The Berkeley e The Connaught em Londres,
São hotéis que carregam um baita DNA de refinamento, mas com alma californiana: leve, solar, cheia de espaço para o ar e a luz.


A decoração foi revisitada pelo designer Bryan O’Sullivan, com paletas suaves, tons pastéis, móveis sob medida e obras de arte cuidadosamente curadas.

Sobre a cama, lençóis de algodão egípcio tão finos que quase pareciam líquidos. No banheiro, mármore branco, amenidades discretas, e uma banheira que convidava a esquecer o tempo. Tudo ali se encaixava em uma cadência silenciosa — como se o hotel respirasse junto com você.


A arte de não ter pressa
Foi na manhã seguinte que percebi que o The Maybourne tem uma linguagem própria. Desci para o café da manhã com vista para um belíssimo jardim anexo ao hotel. Não havia pressa. Era um ritual. E, naquele instante, o hotel deixava de ser um espaço físico e se tornava uma extensão do meu próprio ritmo.



O spa, no subsolo, é uma joia silenciosa. Corredores de pedra clara, aromas sutis de lavanda, terapeutas que falam em voz baixa. Fiz uma massagem de 90 minutos que terminou com chá de gengibre e mel — e a sensação de que o corpo havia sido reiniciado. A academia ao lado funciona 24 horas e é uma das maiores e mais completas que já vi em hotéis mundo afora.


Na cobertura, a piscina é um espetáculo de si mesma. As espreguiçadeiras brancas e cabanas privativas para manter o anonimato, afinas, estamos em LA, se alinham diante de uma vista que alcança o horizonte de Los Angeles. Pedi uma taça de rosé e deixei o entardecer fazer o resto. Era impossível não pensar em quantas vezes essa mesma luz já iluminou roteiros de cinema, amores, despedidas. Ali, porém, ela era só minha.


O serviço de poolside é oferecido por Dante Beverly Hills, que é tanto restaurante, quanto o bar no rooftop e tem um dos mais concorridos happy hours da cidade!

Para momentos tranquilos, o hotel conta com “The Terrace”, um restaurante ao ar livre cercado por jardins e fontes, com atmosfera tranquila. Já o Maybourne Café, é ideal para cafés, pasteis, saladas, opções mais rápidas e descontraídas. O The Maybourne Bar está localizado no lobby, com carta de vinhos e coquetéis criativos, ambiente super elegante. O Whisky Bar tem um ambiente mais intimista, com uma das maiores coleções de whisky da América do Norte e charutos em um humidor. É permitido fumar no terraço anexo e com frequência, você pode esbarrar com alguma celebridade por lá.




Também é oferecido o famoso afternoon tea “Prêt-à-Portea”, conceito que já é tradição nos hotéis Maybourne, inspirado no The Berkeley em Londres.
Sabores e pausas
À noite, o jantar no Dante, foi um dos pontos altos da estadia. O ambiente tem algo de europeu — uma vista deslumbrante da cidade, velas, e uma brisa que parece vir dos jardins logo abaixo. Drinks super bem executados, um cardápio com várias opções italianas e pizza a lenha fazem deste rooftop muito especial.


Mais tarde, ao cruzar novamente o lobby, percebi como o hotel muda de tom ao longo do dia. Pela manhã, é claro e solar; à noite, torna-se quase teatral. O piano, o tilintar de taças, os passos discretos sobre o mármore — há uma coreografia implícita em tudo.
Um programa diferente
O concierge do The Maybourne oferece experiências diferenciadas pela cidade e uma delas foi um passeio por beverlly Hills a bordo de um carrinho MOKE! Passeamos pelo bairro e pela região da Rodeo Drive, foi super divertido ver a casa dos famosos, o movimento das loja, o glamour no coração pulsante de Beverly Hills!

A beleza das pausas
O The Maybourne Beverly Hills não é um hotel para se visitar às pressas. Ele pede entrega — aquela entrega tranquila de quem se permite observar o cair da tarde, ouvir o barulho do gelo num copo, ou ler um livro sem olhar o relógio.
E talvez seja isso o que o torna tão especial: ele redefine o que significa luxo. Aqui, luxo não é apenas o que se vê — é o que se sente. É o tempo devolvido, o silêncio bem dosado, o conforto que não sufoca.
Ao deixar o hotel, no último dia, percebi que Beverly Hills continuava vibrante lá fora: vitrines, carros, brilho. Mas dentro de mim havia um outro ritmo, mais lento, mais atento.
O The Maybourne me ensinou, ainda que por alguns dias, a arte de permanecer.





