Hiroshima

“Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada”

Não tem como não pensar nesta letra belíssima de Ney Matogrosso ao chegar a Hiroshima. Tão presente e recente em nossa geração que sempre ouviu falar da sua destruição apocalíptica em que tantas pessoas foram eliminadas em instantes. Não tem como não se emocionar ao pisar ali.Hiroshima_2

Como a Segunda Guerra Mundial se arrastou até o verão de 1945, os EUA decidiram utilizar uma arma nova para forçar a rendição do Japão. Em 6 de agosto um bombardeio B-29 lançou a primeira bomba atômica chamada de “Little Boy”, sobre Hiroshima, cidade que até então sofrera pouco com o conflito. A explosão foi às 8:15h, 580m de altitude, sobre o centro da cidade. Cerca de 80.000 pessoas morreram na hora. Cerca de 70% das construções foram completamente destruídas e 7% severamente danificada. Restou muito pouco da cidade. O número total de vítimas chegou a cerca de 200 mil nos anos seguintes. Nagasaki foi atacada três dias depois. A única construção que sobreviveu à destruição foi o antigo Salão da Promoção Industrial, que ficava há poucos passos do local exato em que explodiu a bomba e seus ocupantes morreram instantaneamente. A Unesco preservou as traves retorcidas, os buracos abertos e o entulho como patrimônio da humanidade.Hiroshima_8Hiroshima_7Hiroshima_5Hiroshima_14

O Sino da Paz pode ser tocado por quem quiser e no Monte da Memória estão as cinzas de milhares de pessoas que foram cremadas no lugar. Mais adiante encontra-se o Monumento da Paz das Crianças, retratando uma menina com as mãos estendidas. Um grou, símbolo da longevidade e felicidade, voa sobre ela. A obra se refere a uma criança vítima da bomba. Ela acreditava que se fizesse mil grous de papel, ficaria curada de suas lesões. A menininha morreu, mas sua história é conhecida em todo o Japão, e grous de papel ( uma espécie de origamis), enfeitam o monumento.Hiroshima_11Hiroshima_40

Em 17 de setembro de 1945,  a província de Hiroshima foi atingida pelo Tufão Makurazaki, e a cidade sofria novamente com cerca de 3.000 mortos e feridos.  Mais de metade das pontes foram destruídas, além de danos severos nas estradas e ferrovias.

Pra que ainda tiver forças e quiser visitar o Museu Memorial da Paz, onde nos deparamos de fato com os horrores provocados pela bomba. Filmes, objetos, fotos e um acervo enorme detalham os horrores.Hiroshima_32Hiroshima_23Hiroshima_20Hiroshima_29Hiroshima_30

O relógio que parou no momento exato da bomba, 8:15h daquela manhã de 6 agosto de 1945.Hiroshima_27

Hiroshima foi reconstruída após a guerra com ajuda do governo nacional através da lei de Construção do Memorial da Paz de Hiroshima, em 1949. A Chama da Paz só se apagará no dia em que todas as armas nucleares tiverem sido eliminadas. O Cenotáfio projetado por Tange Kenzo homenageia as vitimas da bomba. Aqui estão assinalados os nomes de todas as pessoas que morreram por causa da explosão e uma inscrição: “Descansem em paz.”Hiroshima_31Hiroshima_17Hiroshima_16Hiroshima_18

Ela fornecia assistência financeira para a reconstrução, juntamente com terrenos doados que pertenciam previamente ao governo e eram usados para propósitos militares. Em vez de ressuscitar as ruas tortuosas do pré-guerra, as autoridades optaram por reconstruir a cidade em sistema de rede, facilitando a circulação.Hiroshima_10Hiroshima_13

Os japoneses são exemplos vivos de superação, coragem e disciplina.

Fotos Flavia Pires.

Bibliografia: Wikipedia e Guia Visual da Folha de São Paulo.

 

 

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