Vai pra Rússia?

Sempre acho que uma viagem preparada com antecedência para um país distante e tão rico em história e cultura, vale um aprofundamento literário e profundo conhecimento da sua história, política, religião, cultura e artes. E a minha viagem para a Rússia em 2012 (ver posts sobre São Petersburgo e Moscou) foi marcada com bastante antecedência, aliás, geralmente minhas viagens são sempre assim, acho que por isso consigo viajar tanto. Esse assunto até merece um post contando um pouco da minha organização e planejamento anual de viagens. Escrevo por ordem de leitura para ser mais proveitoso possível.

Os Últimos Dias dos Romanov, de Helen Rappaport (tradução: Luís Henrique Valderato)

Excelente para iniciar a leitura sobre a Rússia, conta o fim do séc XIX e os primeiros 20 anos do séc XX e a terrível história do massacre e extermínio da família de Nicolau II, tão importante no cenário russo.

O Palácio de Inverno, de John Boyne (tradução: Denise Bottmann)

Um romance passado no Hermitage no período do governo de Nicolau II, complementa o livro acima, mas escrito de uma forma romanceada, eu AMEI.

Um Diário Russo, de Joh Steinbeck e Robert Capa (tradução: Claudio Marcondes)

Livro interessantíssimo sobre um grande romancista americano(John) e um mega fotojornalista(Capa) que juntos vão à Rússia em 1947, pós Guerra, documentar e fotografar a vida cotidiana dos russos na URSS. Texto delicioso e fotos incríveis.

Com Vista para o Kremlin, de Vivian Oswald

Uma jornalista carioca que morou 2 anos em Moscou e escreveu este livro narrando a vida na Rússia pós–soviética, eu adorei!

Catarina, a Grande: Retrato de uma Mulher, de Robert K. Massie (tradução: Angela Lobo de Andrade)

Última mulher a governar a Rússia, e deixou marcas sem precedentes no país. Uma biografia que recria um mundo de mudanças políticas, arte, guerra, amores e um capítulo fascinante da história russa.

Nicolau & Alexandra, de Robert K. Massie (tradução: Angela Lobo de Andrade)

O relato clássico da queda de dinastia Romanov.

Aulas de Literatura Russa: de Púchkin a Gorenstein, de Aurora Fornoni Bernardini

A antologia reúne ensaios e resenhas de Aurora Fornoni Bernardini escritos ao longo de mais de trinta anos e publicados em prestigiosos jornais e revistas. Suas leituras atentas de Púchkin, Dostoiévski, Tolstói, Turguêniev, Tchékhov e outros escritores seminais do século XIX oferecem elementos para que os leitores se familiarizem com momentos decisivos e conceitos-chave da Era de Ouro da cultura russa.

As Irmãs Romanov, de Helen Rappaport (tradução: Cássio de Arantes Leite)

Pouco se disse sobre o drama das princesas Romanov, que sempre foram vistas como personagens secundárias da trama da Revolução Russa. Em As irmãs Romanov, no entanto, a aclamada biógrafa Helen Rappaport traz a história delas para o centro da narrativa e oferece aos leitores o mais completo relato da vida das grã-duquesas Olga, Tatiana, Maria e Anastácia. Tendo por base as cartas e os diários das jovens e em fontes primárias nunca antes examinadas, Rappaport desenha um quadro vívido das irmãs nos últimos dias da dinastia Romanov.

História Concisa da Rússia, de Paul Bushovitch (tradução: José Ignácio Coelho Mendes Neto)

Este livro oferece um amplo panorama da história russa desde o século IX. Paul Bushkovitch ressalta as enormes mudanças na compreensão da história russa que resultaram do fim da União Soviética em 1991.

Sussurros: A vida privada na Rússia de Stalin, de Orlando Figes (tradução: Marcelo Schild)

Sussurros conta os bastidores de um dos mais importantes momentos políticos dos tempos modernos. E entra no território inexplorado das vidas privadas durante aqueles anos terríveis. Sussurros revela as histórias ocultas de famílias soviéticas comuns que viveram sob a tirania de Stalin.

Os Russos, de Angelo Segrillo

Livro escrito por um autor brasileiro que conhece de perto o país e retrata sua visão sobre o povo russo.

Intercale estas leituras com os clássicos da literatura russa:

Crime e Castigo, de Dostoiévski

“Crime e castigo” é um daqueles romances universais que, concebidos no decorrer do romântico século XIX, abriram caminhos ao trágico realismo literário dos tempos modernos. Contando nele a soturna história de um assassino em busca de redenção e ressurreição espiritual, Dostoiévski chegou a explorar, como nenhum outro escritor de sua época, as mais diversas facetas da psicologia humana sujeita a abalos e distorções e, desse modo, criou uma obra de imenso valor artístico, merecidamente cultuada em todas as partes do mundo. O fascinante efeito que produz a leitura de “Crime e castigo” – angústia, revolta e compaixão renovadas a cada página com um desenlace aliviador – poderia ser comparado à catarse dos monumentais dramas gregos.

Anna Kariênina, de Tolstói

“Toda a diversidade, todo o encanto, toda a beleza da vida é feita de sombra e de luz”, escreve Liev Tolstói no romance que Fiódor Dostoiévski definiu como “impecável”. Publicado originalmente em forma de fascículos entre 1875 e 1877, antes de finalmente ganhar corpo de livro em 1877, Anna Kariênina continua a causar espanto. Como pode uma obra de arte se parecer tanto com a vida? Com absoluta maestria, Tolstói conduz o leitor por um salão repleto de música, perfumes, vestidos de renda, num ambiente de imagens vívidas e quase palpáveis que têm como pano de fundo a Rússia czarista. Nessa galeria de personagens excessivamente humanos, ninguém está inteiramente a salvo de julgamento: não há heróis, tampouco fracassados, e sim pessoas complexas, ambíguas, que não se restringem a fórmulas prontas. Religião, família, política e classe social são postas à prova no trágico percurso traçado por uma aristocrata casada que, ao se envolver em um caso extraconjugal, experimenta as virtudes e as agruras de um amor profundamente conflituoso, “feito de sombra e de luz”.

Noites Brancas, de Dostoiévski

Durante uma das maravilhosas “noites brancas” do verão de São Petersburgo, em que o sol praticamente não se põe, dois jovens se encontram numa ponte sobre o rio Nievá, dando início a uma história carregada de fantasia, emoção e lirismo. Não por acaso, a história foi adaptada para o cinema por diretores do porte de Luchino Visconti e Robert Bresson.

Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski

Os irmãos Karamázov é o último romance de Dostoiévski. No fundo, ele resume toda a criatividade do escritor, trazendo à baila as “malditas” questões existenciais que o afligiram a vida inteira, com especial relevo para a flagrante degradação moral da humanidade afastada dos ideais cristãos. Cheia de peripécias, a narrativa põe em foco três protagonistas irmãos, representantes dos mais diversos aspectos da realidade russa – o libertino Dmítri, o niilista Ivan e o sublime Aliocha –, a fim de alumiar as profundezas insondáveis do coração entregue ao pecado, corrompido por dúvidas ou transbordantede amor.

Filmes:

Dr. Jivago (1965)

O filme conta sobre os anos que antecederam, durante e após a Revolução Russa pela ótica de Yuri Zhivago (Omar Sharif), um médico e poeta. Yuri fica órfão ainda criança e vai para Moscou, onde é criado. Já adulto se casa com a aristocrática Tonya (Geraldine Chaplin), mas tem um envolvimento com Lara (Julie Christie), uma enfermeira que se torna a grande paixão da sua vida. Lara antes da revolução tinha sido estuprada por Victor Komarovsky (Rod Steiger), um político sem escrúpulos que já tinha se envolvido com a mãe de Lara, e se casou com Pasha Strelnikoff (Tom Courtenay), que se torna um vingativo revolucionário. A história é narrada em flashback por Yevgraf de Zhivago (Alec Guiness), o meio-irmão de Yuri que procura a sua sobrinha, que seria filha de Jivago com Lara. Enquanto Strelnikoff representa o “mal”, Yevgraf representa o “bom” elemento da Revolução Bolchevique.

Onde assistir: disponível em streaming no HBO Max

O Encouraçado Potemkin (1925)

Em 1905, na Rússia czarista, aconteceu um levante que pressagiou a Revolução de 1917. Tudo começou no navio de guerra Potemkin quando os marinheiros estavam cansados de serem maltratados, sendo que até carne estragada lhes era dada com o médico de bordo insistindo que ela era perfeitamente comestível. Alguns marinheiros recusam-se a comer essa carne, então os oficiais do navio ordenam a execução deles. A tensão aumenta e, gradativamente, a situação sai cada vez mais fora do controle. Logo depois dos gatilhos serem pressionados Vakulinchuk (Aleksandr Antonov), um marinheiro, grita para os soldados e pede para eles pensarem e decidirem se estão com os oficiais ou com os marinheiros. Os soldados hesitam e então abaixam suas armas. Louco de ódio, um oficial tenta agarrar uma das espingardas e provoca uma revolta no navio, na qual um marinheiro é morto. Mas isto seria apenas o início de uma grande tragédia.

Onde assistir: disponível em streaming no Belas Artes à La Carte, serviço do Cine Belas Artes.

Arca Russa (2002)

A Versátil, em parceria com a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, apresenta Arca Russa, a deslumbrante obra-prima do russo Aleksandr Sokúrov, um dos maiores cineastas da atualidade. Um museu como um ser vivo, uma entidade que respira e tem personalidade própria. Sokúrov empresta alma ao colossal palacete do Hermitage, em São Petersburgo, um dos maiores museus do mundo. Arca Russa foi filmado em um único plano-seqüência, sem cortes, que dura 97 minutos e atravessa 35 salas do museu, transformando a tela de cinema em um quadro vivo por onde desfilam personagens importantes da história da Rússia: Pedro, o Grande; Catarina, a Grande; Catarina II, Nicolau e Alexandra. Simbiose perfeita de cinema, história e artes plásticas, Arca Russa é uma experiência visual única e inesquecível.

Neve Ardente (1972)

Adaptação do romance homônimo de Yury Bondarev, obra autobiográfica em que o autor relata sua experiência como chefe de uma bateria de artilharia na Segunda Guerra Mundial, na chamada Operação Tempestade de Inverno. No final de 1942, o combate se aproxima das margens do rio Volga, e as forças soviéticas partem para a ofensiva cercando 300 mil soldados alemães comandados pelo General von Paulus, que sitiara Stalingrado por mais de quatro meses. Para romper o bloqueio, Hitler envia uma grande frota de tanques, sob o comando do Marechal de Campo Manstein. Os soldados de uma bateria antitanque do Exército Vermelho enfrentam o assalto dos fascistas, numa batalha estratégica para o destino da guerra.

Tchaikovsky, Delírio de Amor (1970)

Inseguro emocionalmente e depressivo, o professor de piano Peter Ilych Tchaikovsky batalha para que sua música seja aceita e tenta superar os seus impulsos homossexuais. O apoio de uma rica viúva lhe dá o suporte artístico que ele precisa, porém, ao escolher se casar, ele tem uma noiva uma ninfomaníaca, a quem não consegue satisfazer sexualmente.

Rússia de Romanov a Stalin

Uma história chocante que passa pelas imagens muito tristes dos últimos Romanov, já enfraquecidos pela elevação dos poderes dos Bolcheviques. Os Revolucionários pouco tempo antes do início, a guerra civil, das insurreições dos camponeses, bem como reação do estado pela servidão, o grande plano para o crescimento, para deportações em 1939. Então, vem o intante da terrível campanha contra Hitler, que faz os russos os grandes vencedores, graças ao heroísmo, sacrifícios e a organização incrível da então maior nação do mundo.

Coco Chanel & Igor Stravinsky (2009)

Coco Chanel, devotada a seu trabalho e apaixonada pelo charmoso e bem sucedido Arthur ‘Boy’ Capel, comparece ao Théâtre des Champs-Élysées, onde Igor Stravinsky mostra pela primeira vez a sinfonia A Sagração da Primavera. Ela se encanta pela música, mas o público vaia uma obra revolucionária e moderna para seu tempo. Sete anos mais tarde, Coco e Igor se reencontram em situações opostas. Ela agora é uma estilista famosa, rica e respeitada, e vive a dor da morte de ‘Boy’, enquanto ele vive em exílio na França após a Revolução Russa. A atração entre os dois é imediata. Coco o convida para se hospedar em sua casa de campo para compor; Igor aceita e muda-se com a mulher e filhos. Um intenso romance então se inicia entre os dois artistas na fase mais criativa de suas carreiras.

Batalha da Rússia I e II (documentário – 1943)

Nesta edição da série de propaganda “Por que lutamos”, aprendemos sobre os eventos na frente russa durante a Segunda Guerra Mundial. Aprendemos sobre a resistência da Rússia à invasão no passado e como essas qualidades foram utilizadas na guerra de 1943.

Os Últimos Czares (série – 2019)

A trama gira em torno da família Romanov que governou até a Revolução Bolchevique. Imperdível!

Onde assistir: disponível na Netflix.

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