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Ashram Art of Living na Índia

Flavia Pires
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A Índia foi paixão logo de cara, quando estive pela primeira vez em 2011. Foi uma viagem em que me preparei muito, lendo sobre todos os assuntos relacionados a este país tão distante de nós. E me apaixonei antes mesmo de conhecê-lo. A viagem foi incrível, porém bem turística, como eu acho que deva ser uma primeira vez. Mas voltei com aquela vontade de experimentar uma nova experiência, ir a fundo no hinduísmo, nos conhecimentos ayurvédicos e tudo o que envolve essa cultura fascinante. No segundo semestre do ano passado, através de amigas, conheci o Arte de Viver, uma instituição indiana com sede em várias cidades do Brasil. Ali, vários cursos são ensinados e dinâmicas interessantíssimas acontecem. O que mais me interessei foram as técnicas de respiração ensinadas há décadas pelo famoso guru Sri Sri Ravi Shankar, até então um desconhecido para mim. Ashram

E daí surgiu um grupo que seria a delegação brasileira para um grande evento no seu Ashram em Bangalore em fevereiro. Até então, eu só conhecia uma amiga que frequentava um Ashram e o filme Comer, Rezar e Amar onde a Julia Roberts faz um retiro do silêncio, mas a idéia sempre me atraiu. E animei com a idéia de ir em um grupo pequeno e finalmente desbravar tudo aquilo que vinha estudando e praticando. E fazer o tal voto de silêncio me atraia mais ainda. A exigência de fazer este curso na Índia requer um curso preparatório antes, chamado de Parte 1, que por minha sorte, começaria dali uns dias com uma indiana que viria exclusivamente dar este curso em São Paulo. Tudo se encaixava e aquele meu lema de que “o bonde está passando e eu não posso perder”, se fez valer. Fiz o curso de quatro dias com a queridíssima Rajshree Patel e me apaixonei pelas técnicas de respiração, meditação e todos os seus ensinamentos. Comecei a contar os dias para minha aventura, coragem é o que não me faltava.Ashram

E fevereiro chegou…embarquei cheia de curiosidade para o que seria uma grande experiência. Bangalore é uma cidade enorme e o Ashram fica na sua periferia. Chegamos com o dia amanhecendo, cansadas, com fome e frio. Fomos direcionadas ao nosso dormitório, que para minha surpresa era muito melhor do que imaginava. Depois descobri que como estávamos na Conferência Internacional de Mulheres, um evento que acontece há cada dois anos, tínhamos alguns privilégios, entre eles, quartos arrumadinhos e com roupa de cama nova (apesar de ter levado as minhas, just in case).  Ashram Ashram Ashram Ashram

Acabei ficando sozinha no meu quarto, por um erro deles, iria dividi-lo com uma brasileira que acabou chegando depois. O banheiro era no esquema indiano, banho de caneca, balde e rodo. Nosso alojamento era bem distante de tudo, aliás, as distâncias no Ashram são imensas, haja perna pra caminhar todos os dias, uma verdadeira cidade murada. Ashram Ashram Ashram Ashram

Devo confessar que o primeiro dia, logo de cara, me bateu um desespero enorme e não parava de me perguntar o que estaria fazendo ali. Cada cantinho do Ashram com um nome diferente, comecei a ficar confusa e achar que nunca ia decorar nada daquilo. Um mundo novo, regras novas…e a comida…a comida foi um grave problema desde o primeiro contato…aquela comida indiana que eu havia conhecido e adorado…não existia ali…caldeirões com sopas e caldos eram dominantes…todos em um imenso, mas imenso refeitório…filas homéricas para ser servidos…comendo com as mãos…e descalços…e sujinhos…o desespero bateu muito forte…Ashram Ashram

Aqui um típico café da manhã….Ashram Ashram

E o almoço em um dia bom…Ashram Esse era o lugar em que lavávamos nossa louça depois de comer. Uma imensa pia engordurada, suja, e ainda descalços completava o cenário…Ashram

E finalmente começou a Conferencia das Mulheres, 60 representantes de países falaram sobre diversos assuntos do universo feminino, foi bem interessante e a chance de ver mulheres do mundo todo convivendo neste ambiente diferente. Tinha até uma Sheika dos Emirados…Ashram Ashram Ashram Ashram Ashram Ashram

Aqui com a querida Marcia de Luca, representante do Brasil na Conferência!Ashram

Os três dias se passaram entre uma palestra e outra o Ashram estava com uma cara diferente do normal, dava pra sentir o clima de festa pairando no ar. Acabando os festejos, a calmaria tomou conta da cidade murada…Nossa rotina começava às 6 da manhã e ia até 10 da noite, em jornadas longuíssimas de meditação, exercícios de respiração que chegavam a cerca de 7 horas por dia, além de yoga e trabalho voluntário. O Ashram é conhecido internacionalmente pelo seu voluntariado. Cerca de 5.000 pessoas trabalham ali diariamente, sem receber nada em troca. Minha escolha para o voluntariado foi a cozinha, onde descascava e cortava legumes. Eu adorava. Ashram

Ter feito aniversário no Ashram foi diferente. E teve até bolo!Ashram Ashram

Além de um  encontro com o guru em sua casa, onde me deu uma rosa e me abençoou. Aqui na foto estou com nossa instrutora de meditação, discípula do mestre.Ashram Ashram

Não dá para negar a energia desse homem e a admiração por tudo que ele criou. A Art of Living não é religião, nem seita. É um estilo de vida. Não virei seguidora do guru, e nunca sairei por aí pregando… sou muito cética para tal, apenas simpatizo com ele e seus métodos de respiração e meditação. Todo fim de tarde acontecia o chamado Satsang, um encontro de todos os participantes com muita música pra relaxar… os finais de tarde ali foram inesquecíveis…uma imensa confraternização de tantos povos.Ashram

Foram alguns dias assim, com alguns momentos livres, onde aproveitei para conhecer o Ashram e sua imensidão. Cantinhos pitorescos de muita paz contrastavam com o resto. O Ashram é auto suficiente: horta, pomar, vacas que escutam mantras diários e fornecem o leite para a comunidade e um sistema de água tratada que permite que o Ashram viva uma realidade bem diferente da Índia.Ashram Ashram Ashram Ashram

As lojinhas chamadas de Divine Shop estão por todos os cantos e vendem gêneros de primeira necessidade e muitos souvenirs do guru.Ashram

Aqui é o SPA, onde podia-se agendar massagens terapêuticas e até um médico Ayurveda. Ashram

Aqui todos interagem de uma forma única e muito especial. Gente o mundo inteiro em busca do bem estar da alma. A energia é sensacional. Os dias foram passando, alguns, mais fáceis, outros mais difíceis… a superação na meditação foi um grande estímulo e meu corpo já apresentava sinais muito positivos de um bem- estar maravilhoso.Ashram

E finalmente chegou o dia de entrar em silêncio. O corpo estava preparado através de muito exercício de respiração e meditação, através de muitas dinâmicas em grupo. Era hora de fechar  a boca e se deparar com os demônios internos. Ficar sem falar não foi difícil. Você ganha um crachá “I’m in silence”e ninguém te perturba. As primeiras horas a sensação foi de ter a cabeça explodindo de tantas informações, a máquina não parava de pensar: passado, presente e futuro, em um ritmo alucinante e em uma rapidez inacreditável. Fiquei exausta de tanto pensar. À noite caí na cama em um sono muito profundo. Passadas 24 horas a mente começou a relaxar e entrar em um conforto delicioso. Pensamentos ordenados e uma sensação muito prazerosa tomaram conta de mim. Começei a me enxergar como um expectador da minha vida, vendo todos os meus defeitos e coisas que me incomodavam de uma forma como nunca enxerguei. E uma profunda vontade de mudar, de fazer valer. Coisas básicas da vida, reações que temos no dia -a – dia que devem muito incomodar os que convivem com a gente. E assim se passaram mais 4 dias, sendo o último de uma paz que nunca havia experimentado antes. O difícil foi sair do silêncio. Demorei 9 horas a voltar a falar…fiquei em uma zona de conforto de tanto prazer que não queria abandonar por nada… uma sensação única…que estou experimentando hoje outra vez, já que este final de semana repeti o voto de silencio, só que desta vez em um retiro em Maresias, litoral norte de São Paulo, muito bem organizado pela equipe paulista do www.artedeviver.com.br . Foram quatro dias intensos, com novas sensações e de muito aprendizado. Recomendo vivamente esta experiência, que pra mim, foi transformadora. Namastê.

Fotos Flavia Pires, todos os direitos reservados.

 

 

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