Expedição Katerre

 

Vou iniciar meu texto com uma frase bem clichê, mas que pra mim, faz muito sentido: “Todo brasileiro tem obrigação de conhecer a Amazônia, a maior floresta não mundo! ” Quem já conhece a Amazônia, tenho certeza de que vai concordar comigo, certo?

A Floresta possui 7 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 5 milhões são cobertos pela floresta tropical. É de uma beleza indescritível, uma imensidão que chega a doer, especialmente se você consegue sobrevoá-la. Os superlativos são muitos para descrever a beleza dessa região. Não me conformo das escolas brasileiras não terem um programa de incentivo para levar seus alunos a conhecerem a Floresta. As crianças cresceriam com outra relação com a natureza e conscientização ambiental. Conheceriam sobre os diversos ecosistemas e biomas, se interessariam por questões relacionadas à sustentabilidade e vários outros temas tão importantes de preservação e de extrema importância atualmente.

A Amazônia abriga a maior bio-diversidade do planeta: seus rios e florestas possuem cerca de 2.000 especies de pássaros, 3.000 espécies de peixes, mais de 400 espécies de mamíferos, 400 espécies de anfíbios, 400 espécies de répteis, 2,5 milhões de tipos de insetos, 40.000 espécies de plantas, 1.100 espécies de árvores e por aí vai. Possui os maiores arquipélagos fluviais do mundo, os maiores rios em extensão e volume d’água e a maior reserva de água doce do planeta.

Faço um convite para embarcarmos nesta viagem e desbravarmos um minúsculo pedacinho da floresta em cruzeiro de 4 dias pelo arquipélago de Anavilhanas, mais especificamente na cidade de Novo Airão no Rio Negro, a porta de entrada da Amazônia para o turismo. E um dos grandes atrativos desta belíssima região que atrai bastante visitantes o ano todo é a ausência de mosquitos, devido ao PH das águas.

Esta foi a minha terceira vez na Amazônia e decidi realizar um sonho antigo em fazer esta viagem de uma forma diferente: conhecer um dos barcos da Expedição Katerre, empresa de  cruzeiros fluviais pela região da Amazônia. Embarquei no Jacaré Açu, um barco de 64 pés com três andares, amplas áreas funcionais e 16 leitos, todos distribuídos em apenas 8 cabines. Todas as cabines com banheiro privativo e ar condicionado. As embarcações Katerre foram construídas seguindo as tradições de “Cruzeiro de Charme Caboclo”, promovendo e explorando o melhor da cultura local. Sua arquitetura bem rústica feita em madeira itaúba, loro e quiri-quara, típicas da região, trazem um charme absoluto às embarcações. Os barcos são homologados pela Marinha do Brasil e seguem criteriosamente todos os padrões e exigências do Ministério do Meio Ambiente.

O cruzeiro fluvial da Expedição Katerre oferece diversas experiências memoráveis e uma curadoria excepcional de passeios, já que estão envolvidos em diversos projetos locais.

Vamos ao roteiro? A empresa possui vários roteiros diferentes, e eu optei pelo de 4 dias que inclui o Rio Solimões e o famoso Encontro das Águas. A saída do barco foi em Manaus e aproveitei para dormir uma noite na cidade e dar um update, já há muitos anos eu não passava por lá.  Fiquei surpreendida positivamente pela mudança e crescimento da cidade, muito mais cosmopolita e organizada. Excelentes novos hotéis despontam no cenário e uma gastronomia renomada faz sucesso no meio foodie. Foi uma grata surpresa rever Manaus, ainda que rapidamente.

PRIMEIRO DIA: Embarcamos às 9 horas no Jacaré Açu no píer do Hotel Tropical em Manaus. Depois de conhecermos a embarcação e nos acomodarmos, fomos diretamente ao famosíssimo Encontro das Águas nos Rios Negro e Solimões nas voadeiras, que são barquinhos que nos fazem locomover com mais agilidade. Esse fenômeno acontece por conta da diferença das temperaturas das águas e acidez dos rios.

Embarque em Manaus
Saindo de Manaus em direção ao Encontro das Águas

O Rio Negro tem o PH alto e temperatura da água 28 graus. O Rio Solimões tem PH baixo e temperatura da água 22 graus. Por este fenômeno que as águas não se misturam. É bem impressionante ver estar barreira natural ao vivo, por longos 9 quilômetros.

Rio Negro e Solimões

O Jacaré Açu é amplo e acomoda muito bem 16 pessoas com conforto, especialmente nas áreas comuns. São três andares: o primeiro fica o restaurante, a cozinha e as 4 cabines com beliches que acomodam 2 pessoas em cada. O segundo andar está um Home Theater onde acontecem os encontros diários para falarmos dos roteiros dos próximos dias e onde temos aulas explicativas sobre a região e assistimos filmes. Neste andar ficam as outras 4 suítes com cama de casal e uma varandinha comum. No terceiro piso, uma parte é coberta com mesas e redes rodeadas por duas varandas bem amplas com espreguiçadeiras formando um solarium. Esta parte do barco é bastante usada,  já que contemplam as vistas mais lindas dos percursos. Neste espaço tomávamos drinks, pegávamos um solzinho, e curtíamos esse lounge para descanso. As noites estreladas após o jantar também eram bem convidativas para um bate papo sob o luar.

Restaurante no primeiro andar
Home Theater no segundo andar
Vista do Solarium no terceiro piso

Após o almoço, iniciamos a navegação rumo ao Arquipélago de Anavilhanas, sempre com os guias explicando cada detalhe do roteiro. No caminho, tivemos uma experiência fantástica, que foi nadar com os famosos e alegres botos-cor-de-rosa. Particularmente foi muito emocionante pra mim, porque me sentia muito medrosa de entrar em águas escuras de rios. Sempre tive muito medo e as outras duas vezes que eu estive na Amazônia, não coloquei nem o dedo na água. Desta vez eu rompi essa barreira e decidi me aventurar nas águas escuras. Afinal, esse medo definitivamente não combinava nada comigo… cada dia um pouquinho de aventura e aos poucos fui vencendo o medo.

Ver de perto os Botos Cor de Rosa foi uma experiência única e inesquecível
Como são graciosos e grandes!

Parente das baleias e dos golfinhos, os botos habitam as margens do Rio Amazonas e seus afluentes. Eles aparecem também na Bolívia, Venezuela, Colômbia, Equador e Peru. Os machos podem chegar a medir 2,5 metros de comprimento e pesar até 200 quilos. Os recém nascidos e mais jovens são mais cinzentos e os adultos tem a coloração rosada, sendo a cor dos machos mais viva que a das fêmeas. Eles costumam andar em pares e esses das fotos eram bem grandes. Reza lenda que ao cair da noite, o macho sai do rio e se transforma em um lindo rapaz para namorar as moças. Reza a lenda…..A espécie está ameaçada de extinção e foi um presente nadar com eles.

O jantar é servido cedo para nos recolhermos logo e aproveitarmos bem o dia. A ideia estando em um barco, é acordar bem cedinho e ver o sol nascer! Cada dia de um ângulo e cenários totalmente diferentes, já que estamos nos movimentando a cada dia. Eu curti cada momento de contemplação, sentindo os primeiros raios do dia na pele. É uma sensação única.

 

SEGUNDO DIA:

O amanhecer espetacular no Rio Negro, com direito à um mergulhinho nas águas quentes e rasas, sob o silêncio contemplativo do som dos pássaros e o nado dos golfinhos ao fundo. Aos poucos fui perdendo o medo de nadar nas águas escuras dos rios. Comecei ficando pela beirinha, e aos poucos fui relaxando e me soltando. Depois de um belo café da manhã, cheio de delícias locais: bolo de mandioca quentinho recém assado, dadinhos de tapioca, geléia caseira, pães quentinhos feitos na hora, nos arrumamos para zarparmos em direção à um assentamento indígena oriundos do Alto Rio Negro, a comunidade da etnia Tatuyo. A Expedição Katerre contribui ativamente em diversos projetos na Amazônia e leva seus passageiros a vivenciarem de uma forma única essas experiências na floresta.

O amanhecer no Rio Negro

Na aldeia, assistimos a uma apresentação rústica de seus costumes tradicionais. Ouvimos suas músicas e assistimos suas danças. Escutamos atentos um pouco de sua história e tivemos contato com seu belo e rico artesanato. Passeamos pela aldeia e seus arredores e sentimos como é viver em outra dimensão. Ali tudo acontece em outro ritmo e em outro tempo. Nos damos conta de como somos engolidos pela correria das grandes cidades.

O lindo artesanato local

Fizemos uma trilha de mais ou menos duas horas em “floresta primária” como eles costumam chamar por lá. Apreciamos a fauna e a flora e o nosso guia Josué nos mostrou algumas técnicas de sobrevivência na selva, já que ele é um expert no assunto. Tivemos uma aula sobre as plantas medicinais e seus benefícios. Daqui se extrai toda a sobrevivência dos povos da floresta, é lindo de ver!

A imensidão da floresta e suas árvores centenárias
Nosso guia Josué nos ensinando a sobrevivência na selva

Almoçamos a bordo e descansamos um pouco antes de seguirmos a navegação até o Rio Ariaú. A gastronomia do Jacaré- Açu continua surpreendendo pela qualidade e apresentação dos pratos. Tudo muito bem feito, fresquinho e caseiro. O mais legal é ter a chance de experimentar os tão famosos peixes locais, como o matrinxã,  a piranha, pirarucu, tucunaré, surubim chicote e muitos outros. No cardápio, há também opção para os vegetarianos. Quando você preenche o formulário antes da viagem, aparecem todas as suas preferências gastronômicas ressaltadas. Tudo é muito bem organizado.

Um pouco das delícias servidas a bordo
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Tudo feito fresquinho e com muito amor pela equipe!
Experimentamos vários peixes da região

A parte da tarde navegamos pela região do Rio Ariaú, onde ali apreciamos uma quantidade maior de fauna e flora. Passseamos por horas nas voadeiras, tivemos contato com os macacos Mão de Ouro ou Macaco de Cheiro para os íntimos. Doces, sapecas e arteiros, eles ganharam nossos corações. Eles estão por todos os lados nas ruínas do famoso e antigo hotel Ariaú, ícone da Amazônia por tantos anos às margens do rio homônimo. O hotel faliu há muitos anos e hoje restam apenas as suas ruínas. Eu cheguei a conhecê-lo há 20 anos atrás, na primeira vez que estive na Amazônia, era grandioso e imponente.

Os Macaquinho de Cheiro
Sapecas, simpáticos, arteiros e inofensivos

Fizemos a trilha aquática com pescaria de piranhas, sob o comando do nosso super guia Josué, que nos deu uma aulas destes peixes tão ariscos.

E o Josué o tempo todo nos contando as maravilhas das floresta
Aprendemos muito sobre as piranhas e nos arriscamos até na pescaria

Aproveitamos o cair da noite para fazermos a focagem de jacarés. Fomos nas voadeiras buscando nas margens do rio esses animais tão típicos da Amazônia. Nosso guia Josué  é um verdadeiro herói, com olhos biônicos e vai encontrando no meio da escuridão,  vários filhotes de jacarezinhos pelo caminho. Lindo de ver o respeito e o comprometimento da equipe Katerre em produzir o mínimo impacto ambiental em todos os passeios.

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Filhotes de Jacaré Açu

Passamos a noite ancorado em uma ilha que parece ser um deslumbramento! Chegamos ao fim do dia e o entardecer foi simplesmente lindo!

TERCEIRO DIA

Outro amanhecer abençoado com esta ilha deserta todinha de presente! De setembro a janeiro é a época da seca e  formam-se as praias de rio, com suas areias finas e claras, contrastando com as águas escuras dos rios e formam um visual pitoresco! Passamos a manhã curtindo a ilha e antes do almoço pegamos as voadeiras em direção a um flutuante onde vimos os famosos peixes Pirarucú, um dos maiores peixes de água doce do Brasil. Pode atingir 3 metros  e seu peso pode ir até 330 quilos. É conhecido também como o “Bacalhau da Amazônia “. Nos tanques, simulamos a pesca, sem anzol obviamente, aqui são criados com Plano de Manejo. Ficamos bem impressionados com o tamanho e força do bichão!

As ilhas que se formam durante a época da cheia
Imaginem que essas árvores ficam submersas na época da cheia

Almoço e tarde livre na nossa ilha privativa!

Uma grande surpresa estava por vir! A equipe Katerre montou um jantar incrível na ilha, à luz de velas, bancos de areia cheio de conforto e um banquete com a culinária local. Um cenário digno de filme, um céu estrelado, boa música e muita animação. Foi uma noite memorável.

Um caminho a luz de velas
Mesas e bancos de areia, muito conforto!

QUARTO DIA:

Aprendi que a Amazônia é um “fundo de mar”, ou seja, mesmo sendo água doce nos rios, tem tartaruga, arraia, ostras, caranguejos, mariscos e os botos (uma mutação dos golfinhos que vivem em águas salgadas). Comecei a interagir de outra forma com os rios, que anteriormente me causava, medo. Dia a dia fui me acostumando com as águas escuras e controlando o medo, um exercício diário.

Mais um amanhecer perfeito e cheio de paz

Após o café da manhã servido diariamente às 7:30 zarpamos nas voadeiras rumo à Comunidade do Tiririca, que tem a missão de educar e gerar conhecimento para a melhoria da qualidade de vida dos povos e comunidades tradicionais, promovendo a conservação ambiental e o uso sustentável dos recursos naturais. Vimos o trabalho de compostagem ativa, onde nenhum alimento é desperdiçado. Tivemos contato nas plantações das hortas com dezenas de plantas medicinais e aprendemos mais sobre os seus usos, uma verdadeira farmácia a céu aberto. Uma lojinha de artesanato com objetos lindos produzidos na própria comunidade encheram meus olhos!

A comunidade é super organizada e uma graça
Aprendemos sobre compostagem
E nos perdemos no rico artesanato indígena local

Finalizamos a expedição desses quatro dias a bordo do Jacaré Açu onde percorremos cerca de 120 km navegando pelo Rio Negro e afluentes rumo ã Novo Airão (180 km de Manaus)! Ali fizemos nosso último almoço, no restaurante flutuante Flor Do Luar, que pertence ao grupo Expedição Katerre, às margens do rio e já com saudades desses dias tão incríveis e memoráveis.

Restaurante flutuante Flor do Luar

Dali seguimos para o Mirante do Gavião, um hotel que estava há tempos na minha Bucket List e finalmente chegou minha hora de conhecê-lo! O hotel faz parte do grupo Katerre e é perfeito conjugá-lo com o cruzeiro fluvial!

Aqui eu conto todos os detalhes do Mirante do Gavião, divirtam-se!

www.katerre.com

Fotos Flavia Pires, todos os direitos reservados.

Data da viagem: NOVEMBRO 2020

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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