Livros interessantes sobre a Arábia Saudita

Se você tem vontade de explorar os mistérios e encantos da Arábia Saudita através da magia das palavras, este post é o seu guia indispensável. Prepareei uma seleção de livros fascinantes que capturam a riqueza cultural, a história milenar e os desafios contemporâneos deste país tão intrigante.

Os Árabes: Uma história, de Eugene Rogan (tradução por Marlene Suano)

Durante a maior parte dos últimos dois séculos, os povos árabes lutaram por sua independência e, ao mesmo tempo, procuraram restringir o poder autocrático de seus governantes. O proeminente historiador Eugene Rogan analisa aqui os quinhentos anos da história árabe moderna, começando no século XVI, com o domínio otomano, e atravessando os períodos coloniais britânico e francês e a Guerra Fria, até chegar à atual era de hegemonia unipolar americana. Ao trabalhar com fontes e textos árabes originais, o autor traz para o primeiro plano a perspectiva de quem foi testemunha ― pessoas conhecidas e anônimas ― dos eventos narrados, fazendo justiça à complexidade de sua experiência. Desse modo, nos mostra de que maneira a identidade árabe foi sendo moldada em função das mudanças sociais, econômicas, políticas e religiosas nos diferentes países, tais como o crescente protagonismo do petróleo na economia mundial ou as revoluções da Primavera Árabe. Muito do que o mundo árabe sofreu nos últimos cinco séculos é comum à experiência humana em todo o planeta: nacionalismo, imperialismo, revolução, industrialização, migração rural-urbana, a luta pelos direitos das mulheres. No entanto, diz o autor, a singularidade árabe é marcante: ligados por uma identidade comum baseada na língua e na história, eles são ao mesmo tempo um povo e muitos povos. Fascinantes por sua diversidade, visível na forma de suas cidades ou em sua música e poesia, compartilham a noção de uma comunidade nacional que se estende do Marrocos até a Península Arábica e a posição especial como o povo escolhido do islã. Traduzido para cerca de vinte idiomas, Os árabes é um marco na abordagem histórica do tema.

Girls of Riyadh, de Rajaa Alsanea

Quando Rajaa Alsanea decidiu corajosamente abrir o mundo oculto das mulheres sauditas – as suas vidas privadas e os seus conflitos com as tradições da sua cultura – ela causou sensação em todo o mundo árabe. Agora em inglês, a história de Alsanea sobre as lutas pessoais de quatro jovens mulheres da classe alta oferece aos ocidentais um vislumbre sem precedentes de uma sociedade muitas vezes escondida da vista. Vivendo na restritiva Riade, mas viajando por todo o mundo, estas mulheres sauditas modernas, literal e figurativamente, abandonam os trajes tradicionais enquanto procuram o amor, a realização e o seu lugar algures entre a sociedade ocidental e o seu lar islâmico.

Princesa – A história real da vida das mulheres árabes por trás de seus negros véus, de Jean P Sasson (tradução por Regina Amarante)

Casamento forçado, mutilações e violências sexuais, execução pública por apedrejamento ou confinamento pela família, censura, proibição de dirigir, de viajar ou mostrar o rosto – estas são apenas algumas formas de opressão com que as mulheres muçulmanas ainda são tiranizadas no Oriente Médio. Num depoimento contundente, uma autêntica princesa da Casa Real Saudita revela, sob risco de vida, a intimidade dessa terra fechada, onde o respeito aos direitos e a qualidade de vida das mulheres continua lhes sendo negado. Uma terra onde ainda imperam os homens, o sexo e o dinheiro.

Rebeldia: Minha fuga da Arábia Saudita para a liberdade, de Rahaf Mohammed (tradução por Ana Gabriela Dutra)

No início de 2019, após três anos de muito planejamento, Rahaf Mohammed finalmente escapou de sua família abusiva na Arábia Saudita, mas, ao chegar a Bangkok, teve o passaporte confiscado. Se fosse forçada a voltar para casa, ela sabia que seria morta, assim como aconteceu com outras mulheres rebeldes em seu país. Enquanto os homens esmurravam a porta de seu quarto de hotel, Rahaf postava o suplício no Twitter. A adolescente pediu ajuda ao mundo, e o mundo reagiu – em um dia, ela ganhou 45 mil seguidores, que a ajudaram a conseguir asilo no Ocidente. Neste livro, Rahaf Mohammed conta sua admirável história, revelando as verdades ocultas de seu país inescrutável, onde mulheres jovens crescem em um sistema opressor, sob o controle de um responsável do sexo masculino. Criada em uma família abastada, mas obrigada a ser submissa aos parentes, Rahaf enfrentou uma infância abusiva, pautada pela opressão e pela farsa. Rebeldia narra as experiências de Rahaf na rede clandestina de fugitivas sauditas – que, por meio de códigos, trocam ideias de como escapar das violências de sua terra natal – até a chegada ao Canadá. Este é um livro de memórias arrebatador, que nos mostra a trajetória de uma mulher determinada a conquistar a liberdade.

Infiel: a história de uma mulher que desafiou o islã, de Ayaan Hirsi Ali (tradução por Luiz A. de Araújo

Em novembro de 2004, o cineasta Theo van Gogh foi morto a tiros em Amsterdã por um marroquino, que em seguida o degolou e lhe cravou no peito uma carta em que anunciava sua próxima vítima: Ayaan Hirsi Ali, que fizera ao lado de Theo o filme Submissão, sobre a situação da mulher muçulmana. E assim essa jovem exilada somali, eleita deputada do parlamento holandês e conhecida na Holanda por sua luta pelos direitos da mulher muçulmana e por suas críticas ao fundamentalismo islâmico, tornou-se famosa mundialmente. No ano seguinte, a revista Time a incluiu entre as cem pessoas mais influentes do mundo. Como foi possível para uma mulher nascida em um dos países mais miseráveis e dilacerados da África chegar a essa notoriedade no Ocidente? Em Infiel, sua autobiografia precoce, Ayaan, aos 37 anos, narra a impressionante trajetória de sua vida, desde a infância tradicional muçulmana na Somália, até o despertar intelectual na Holanda e a existência cercada de guarda-costas no Ocidente. É uma vida de horrores, marcada pela circuncisão feminina aos cinco anos de idade, surras frequentes e brutais da mãe, e um espancamento por um pregador do Alcorão que lhe causou uma fratura do crânio. É também uma vida de exílios, pois seu pai, quase sempre ausente, era um importante opositor da ditadura de Siad Barré: a família fugiu para a Arábia Saudita, depois Etiópia, e fixou-se finalmente no Quênia. Obrigada a frequentar escolas em muitas línguas diferentes e a conviver com costumes que iam do rigor muçulmano da Arábia (onde as mulheres não saíam à rua sem a companhia de um homem) à mistura cultural do Quênia, a adolescente Ayaan chegou a aderir ao fundamentalismo islâmico como forma de manter sua identidade. Mas a guerra fratricida entre os clãs da Somália e a perspectiva de ser obrigada a casar com um desconhecido escolhido por seu pai, conforme uma tradição que ela questionava, mudaram a sua vida e ela acabou fugindo e se exilando na Holanda. Ayaan descobre então os valores ocidentais iluministas da liberdade, igualdade e democracia liberal, e passa a adotar uma visão cada vez mais crítica do islamismo ortodoxo, concentrando-se especialmente na situação de opressão e violência contra a mulher na sociedade muçulmana.

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