Potsdam e os encantos de Sanssouci

Cidade independente próxima a Berlim, Potsdam, com mais de 150 mil habitantes, é também capital de Brandemburgo. Sua primeira referência documental data de 993. Em 1317 teve assegurados seus direitos de município. A cidade floresceu nos tempos dos Grandes Eleitores e depois no século XVIII.

Potsdam sofreu muito na Segunda Guerra Mundial, em especial na noite de 14 para 15 de abril de 1945, quando aviões aliados bombardearam o centro da cidade.

A ponte que liga Berlim à Potsdam é a Glienicker Brucke, construída em 1907. Totalmente destruída na Segunda Guerra, a ponte foi reconstruída e reaberta em 1949 e foi denominada a Ponte da Unidade, um nome pouco apropriado, porque na realidade, na verdade era a ponte da separação, metade pertencia à Berlim Ocidental e a outra metade à Potsdam na Alemanha Oriental, era a linha branca no meio a verdadeira fronteira. A ponte não simbolizava somente a separação do país, mas também representava dois diferentes sistemas políticos: o comunismo do lado Oriental e o capitalismo do lado Ocidental. Foi na linha branca no meio da ponte que russos e americanos faziam a troca dos espiões, como por exemplo, no caso espetacular de Rudolf Abel, o espião-mestre da união Soviética, que foi trocado por Gary Powers, o piloto americano. Muitos filmes famosos se basearam na história da ponte e foram rodados aqui.

Meu passeio pela cidade em uma manhã gelada de março, começou no enorme Park Sanssouci, que ocupa uma área de 287 hectares e é um dos mais bonitos complexos palacianos da Europa. O primeiro a ser construído no local foi o Schloss Sanssouci, como palácio de verão do rei mais famoso da Prússia, Frederico II, ou O Grande, que desejava residir em um palácio de sossego, afastado de Berlim e por isso mandou construir um palácio onde pudesse viver “Sans Souci”( sem preocupação) em estilo rococó prussiano. Lá ele recebia personalidades como Voltaire e Casanova para festas super elegantes. O Palácio é relativamente pequeno, se comparado com outros da época e outra característica curiosa é ser um palácio plano, sem escadas.

O tour é guiado por dentro do palácio e acontece de hora em hora, com a compra dos tickets ali mesmo na entrada (apenas em inglês ou alemão). Apesar de estarmos acompanhadas do nosso guia privado, ele pôde nos acompanhar, mas não dar explicações, isso fica por conta do especialista do museu.

Os convidados eram recebidos em salas muito bem decoradas e  com muitos objetos luxuosos, obras de arte e decoração adornados com muitos elementos da natureza, plantas, flores, frutas e animais, a paixão de Frederico.

Sala de música, Frederico era um amante da música e tocava flauta travessa. Seus concertos e composições, 120 sonatas e outras partituras, eram célebres em toda a Europa. A flauta está exposta aqui.

A última sala do palácio está uma obra do artista Andy Wahrol, retratando Frederico, achei o máximo depois de ver tanta arte barroca, uma homenagem contemporânea ao Rei retratado por um artista do século XX. Coisas interessantes que só tem na Alemanha…

Frederico era um apaixonado pela natureza, daí tantos canteiros com flores, árvores e muito verde em seus belos jardins. Uma pena ter conhecido esta beleza no inverno, imaginem esse jardim florido no verão…até as estátuas estão cobertas para não danificarem com a neve…

E era Maçon, por isso o sol, símbolo da Maçonaria no seu jardim.

Seu último desejo era ser enterrado aqui, tamanho seu amor pelo Palácio, junto aos seus cães da raça Galgo. Seu pedido foi atendido e, numa simbólica homenagem, seu túmulo é enfeitado com batatas ao invés de flores. Frederico foi o responsável pela introdução da batata, oriunda dos Andes, na Prússia e pela sua adoção na alimentação do país, o que veio a salvar a vida de milhares de pessoas em épocas de fome.

Vale também a visita à Bildergalerie, onde estão reunidas telas barrocas que eram de Frederico, incluido Tomé, o Incrédulo de Caravaggio e A Morte de Cléopatra, de Guido Reni, além das pinturas de Rubens e Van Dick, expostas na galeria de pinturas perto do Schloss Sanssouci.

Depois da Guerra dos Sete Anos (1756-1763) contra a Áustria por causa da Silésia (hoje a Polônia), o Rei mandou construir o Neues Palais (Palácio Novo) com mais de 300 salas e quartos. Este Palácio Novo, que era o palácio oficial da corte, devia mostrar o novo poder da Prússia. Frederico II mesmo disse que este palácio era uma fanfarronice, só para impressionar o resto da Europa.

O Palácio de Cecilienhof ficou famoso no mundo inteiro pelos eventos históricos que aconteceram depois da Segunda Guerra Mundial, quando os três grandes vencedores, Wiston Churchill da Grã Bretanha (substituído no meio da Conferência por Attlee), Harry Truman dos Estados Unidos e Josef Stalin da União Soviética, reuniram-se no Palácio Cecilienhof para decidir sobre o destino da Alemanha e o futuro da Europa. Imagens deste encontro rodaram o mundo e foi um momento histórico no pós-guerra.

À primeira vista, o palácio construído em 1913 pelo Imperador Wilhelm II durante a primeira Guerra Mundial, não revela sua aparência nobre, mas o palácio dispõe de 176 salas e quartos, mas avançando pelo pátio interno, ganha-se dimensão do seu tamanho.

Construído em estilo Tudor, pois o Imperador nutria uma relação especial com a Inglaterra, já que sua mãe, Victoria era a filha mais velha da Rainha Victoria da Grã Bretanha. O interior do pátio interno ainda ostenta a estrela de flores vermelhas( no inverno sem flores…)  que se tornou o símbolo da Conferência de Potsdam em 1945.

O interior do palácio ficou no mesmo estado como era em 1945. A sala anterior foi adaptada para a Conferência, com uma grande mesa redonda feita em Moscou, onde as três potências vitoriosas da Segunda guerra Mundial se reuniram entre 17 de julho e 2 de agosto de 1945.

Uma curiosidade engraçada: ano passado estive em Moscou e no Museu da Segunda Guerra, imperdível por sinal, olha o que eu fotografei: a mesa usada na Conferência…Stalin levou de souvenir ?!?

O resultado de tudo isso foi que a Conferência de Potsdam, cuja meta inicialmente era implantar uma nova ordem pós-guerra na Europa, já preparou o caminho para a Guerra Fria. No decorrer do tempo, os conflitos das potências vitoriosas se exarcebaram e finalmente a divisão da Alemanha foi realizada, sendo estabelecidos os dois estados alemães.

Uma parte do Palácio tem um hotel bem simpático funcionando.

Saindo dali, fomos dar uma volta pelo simpático Centro de Potsdam. O bairro Holandês é Hollandisches Viertel . A presença dos holandeses na cidade foi devida ao convite feito pelo Rei Friedrich Wilhem I para ajudar a Prússia na construção da cidade de Potsdam que crescia rapidamente em 1733. São um conjunto de 134 casas, todas de pequenos tijolos vermelhos e decoradas de estuque. Vários, restaurantes, cafés e lojinhas deliciosas. Na Mittelstrasse 8 e na Benkertstrasse há 3 museus que contam a história do bairro.

Alexandrowka, bairro com cabanas de madeira entalhadas em estilo russo, construídas em 1826, com a supervisão do arquiteto alemão Snethlage, para 12 cantores de um coral russo. Você jura que está na Russia. O prefeito da cidade mora em uma destas casas.

O meu passeio em Potsdam durou 5 horas, mas acho que teria ficado mais tempo apreciando os jardins se fosse no verão. Quem me levou foi o Guia Peter Berger que ganhou post exclusivo, clique aqui para conhecê-lo.

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