Livros sobre o Afeganistão

Além de viagens presenciais, é possível conhecer lugares sem sair do lugar para se inspirar e escolher próximos destinos. Páginas de livro carregam histórias individuais que se tornam coletivas, e enriquecem viajantes e apaixonados por cultura. Entre ficção e não ficção, montei uma lista com alguns dos meus livros favoritos sobre O Afeganistão e para entender um pouco melhor esse momento atual que o país vem atravessando.

O Livreiro de Cabul, de Åsne Seierstad (tradução: Grete Skevik)

Campeão nas listas de mais vendidos em todo o mundo, traduzido para quarenta países, O livreiro de Cabul foi considerado pela crítica um dos melhores livros de reportagem sobre a vida afegã depois da queda do Talibã. Após conviver três meses com o livreiro Sultan Khan, em Cabul, a jornalista norueguesa Åsne Seierstad compôs este retrato das contradições extremas e da riqueza daquele país. Por mais de vinte anos, Sultan Khan enfrentou as autoridades para prover livros aos moradores de Cabul, e assistiu aos soldados talibãs queimarem pilhas e pilhas de livros nas ruas. Por meio de uma narrativa envolvente, Åsne Seierstad dá voz à família Khan, apresentando ao leitor uma coleção de personagens comoventes que reflete as contradições do Afeganistão.

Nujeen, de Nujeen Mustafa e Christina Lamb (tradução: Elvira Serapicos)

Apesar de ser na Síria, achei que cabia esse livro nesta lista por se tratar do tema refugiados. Christina Lamb, premiada jornalista e coautora do best-seller Eu sou Malala, agora conta a história inspiradora de outra notável jovem heroína: Nujeen Mustafa. A angustiante jornada de Nujeen para fugir da Síria devastada pela guerra até chegar à Alemanha é uma história empolgante de força, coragem e esperança que dá um rosto para a grande questão humanitária do nosso tempo: a crise dos refugiados sírios. Para milhões de pessoas ao redor do mundo, essa adolescente de dezessete anos personifica o melhor do espírito humano. Com a locomoção limitada à cadeira de rodas devido à paralisia cerebral e sem poder frequentar a escola na Síria por causa de sua doença, Nujeen aprendeu inglês sozinha, assistindo a novelas americanas na TV. Quando sua pequena cidade se transformou no epicentro do combate brutal entre os militantes do Estado Islâmico e os soldados curdos apoiados pelos EUA, em 2014, ela e sua família foram obrigados a fugir. Apesar de suas limitações físicas, Nujeen iniciou a árdua jornada rumo à segurança e a uma nova vida. A exaustiva odisseia de dezesseis meses incluiu viagens de ônibus e travessias em botes, através da Turquia e do Mar Mediterrâneo até a Grécia, através da Macedônia até a Sérvia e a Hungria e, finalmente, até a Alemanha. Ainda assim, apesar de todas as dificuldades físicas, o extraordinário otimismo de Nujeen jamais esmoreceu. Ela manteve a cabeça erguida, recusando-se a ceder ao desespero ou a enxergar a si mesma como uma vítima passiva. “Você precisa lutar para conseguir o que deseja neste mundo”, disse a um repórter da BBC. A positividade e a coragem de Nujeen permeiam esta história inesquecível de uma jovem determinada a encontrar uma vida melhor para si mesma. Este é um livro de memórias poderoso e único, que retrata a crise dos refugiados sírios, ajudando-nos a entender que o mundo precisa mudar, ao mesmo tempo em que nos oferece a inspiração para transformar essa mudança em realidade.

O Segredo do meu Turbante, de Nadia Ghulam e Agnès Rotger (tradução Denise Schittine)

Aos oito anos de idade, Nadia Ghulam teve a casa onde vivia com sua família, no Afeganistão, destruída por uma bomba. Ela passou dois anos no hospital, teve o rosto deformado e perdeu todos os homens da sua família. Nadia, então, percebe que não tem quem traga o sustento para casa e sozinha decide fazer de tudo para salvá-los. Ela subverte as leis do talibã e do regime extremamente machista que proíbe as mulheres de trabalhar e estudar e assume a identidade do irmão morto para buscar o sustento da família. A história de coragem e sobrevivência de Nadia tem muito em comum com a da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que desafiou o mesmo talibã para ter acesso à educação. Nadia e Malala são hoje as vozes mais ativas na defesa dos direitos humanos e das mulheres em áreas tomadas por fundamentalistas islâmicos. Aos 21 anos, Nadia conseguiu imigrar para a Espanha, onde vive há mais de uma década dando entrevistas e palestras sobre sua trajetória e as necessidades e percalços enfrentados pelas mulheres islâmicas sob o regime do talibã. O segredo do meu turbante é uma história emocionante e real que já conquistou milhões de leitores em mais de 25 países.

O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini (tradução: Claudio Carina)

O Caçador de Pipas, romance de estreia de Khaled Hosseini, narra a tocante história da amizade entre Amir e Hassan, dois meninos que vivem no Afeganistão da década de 1970. Durante um campeonato de pipas, Amir perde a chance de defender Hassan, num episódio que marca a vida dos dois amigos para sempre. Vinte anos mais tarde, quando Amir está estabelecido nos Estados Unidos, após ter abandonado um Afeganistão tomado pelos soviéticos, ele retorna a seu país de origem e é obrigado a acertar as contas com o passado. Transformado em filme em 2007 pelo diretor Marc Forster, o romance há 10 anos emociona leitores de todo o mundo. A nova edição publicada pela Globo Livros traz um prefácio especial do autor, no qual ele fala sobre a semelhança entre a ficção de O caçador de pipas e sua própria realidade — depois de 27 anos exilado nos Estados Unidos, e já tendo concluído seu primeiro romance, Khaled Hosseini retornou a Cabul e passou por algumas das mesmas experiências vividas pelo personagem Amir ao regressar a sua cidade natal.

O Silêncio das Montanhas, de Khaled Hosseini (tradução: Claudio Carina)

O Silêncio das Montanhas traz como protagonista os irmãos Pari e Abdullah, que moram em uma aldeia distante de Cabul, são órfãos de mãe e têm uma forte ligação desde pequenos. Assim como a fábula que abre o livro, as crianças são separadas, marcando o destino de vários personagens. Paralelamente à trama principal, Hosseini narra a história de diversas pessoas que, de alguma forma, se relacionam com os irmãos e sua família, sobre como cuidam uns dos outros e a forma como as escolhas que fazem ressoam através de gerações. Assim como em O Caçador de Pipas, o autor explora as maneiras como os membros sacrificam-se uns pelos outros, e muitas vezes são surpreendidos pelas ações de pessoas próximas nos momentos mais importantes. Seguindo os personagens, mediante suas escolhas e amores pelo mundo – de Cabul a Paris, de São Francisco à Grécia -, a história se expanda, tornando-se emocionante, complexa e poderosa. É um livro sobre vidas partidas, inocências perdidas e sobre o amor em uma família que tenta se reencontrar.

A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini (tradução: Claudio Carina)

Mariam tem 33 anos. Sua mãe morreu quando ela tinha 15 anos e Jalil, o homem que deveria ser seu pai, a deu em casamento a Rashid, um sapateiro de 45 anos. Ela sempre soube que seu destino era servir seu marido e dar-lhe muitos filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Laila tem 14 anos. É filha de um professor que sempre lhe diz: “Você pode ser tudo o que quiser.” Ela vai à escola todos os dias, é considerada uma das melhores alunas do colégio e sempre soube que seu destino era muito maior do que casar e ter filhos. Mas as pessoas não controlam seus destinos. Confrontadas pela história, o que parecia impossível acontece: Mariam e Laila se encontram, absolutamente sós. E a partir desse momento, embora a história continue a decidir os destinos, uma outra história começa a ser contada, aquela que ensina que todos nós fazemos parte do “todo humano”, somos iguais na diferença, com nossos pensamentos, sentimentos e mistérios.

Eu Sou Malala, de Malala Yousafzai e Christina Lamb (tradução: Caroline Chang, Denise Bottmann, George Schlesinger e Luciano Vieira Machado)

‘Eu sou Malala’ é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher em uma sociedade que privilegia filhos homens. O livro acompanha a infância da garota no Paquistão, os primeiros anos de vida escolar, as asperezas da vida numa região marcada pela desigualdade social, as belezas do deserto e as trevas da vida sob o Talibã.

O Mundo Muçulmano, de Peter Demant

Os muçulmanos constituem uma ameaça ao mundo ocidental? O islã é uma religião de violência? Por que o islamismo é a crença que mais cresce em todo o planeta? Como sua bela e rica tradição cultural convive com a profusão dos homens-bomba, dos atentados em série e do terrorismo em larga escala? Para responder a essas e outras perguntas, Peter Demant escreveu um livro provocativo e esclarecedor. Uma obra monumental do ponto de vista histórico, que rastreia as origens do mundo muçulmano, discute seus impasses contemporâneos e aponta as ações que precisam ser desencadeadas para se evitar uma ameaçadora guerra entre civilizações.

As Meninas Ocultas de Cabul, de Jenny Nordberg (tradução: Denise Bottmann)

Durante cinco anos de pesquisas no Afeganistão, a repórter Jenny Nordberg descobriu que algumas famílias criam suas filhas como se fossem meninos, tentando fazer com que a comunidade acredite que as crianças são de fato do sexo masculino. A prática, conhecida como “bacha posh”, foi revelada por Jenny em reportagem de grande repercussão no New York Times. Embora o Talibã tenha deixado o poder em 2001, muito do que aquela milícia fundamentalista acreditava sobre as mulheres continua em voga. Este livro mostra em detalhe os horrores de um ambiente machista, e serve de alerta para a comunidade internacional sobre um crime que nenhum relativismo cultural é capaz de atenuar. Fruto de uma reportagem aprofundada, um relato devastador sobre o desafio de ser mulher no Afeganistão.

Viagem ao Mundo dos Teleban, de Lourival Sant’Anna, Geração Editorial

O jornalista Lourival Sant’Anna foi o único jornalista brasileiro e um dos poucos no mundo a entrar no Afeganistão após o 11 de setembro e entrevistar integrantes do Teleban. Este também outras vezes no país em 2004 e 2009. O livro é bem esclarecedor sobre o assunto.

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